
Bruxelas, 09 abr 2026 (Lusa) — As reservas de gás da União Europeia (UE), que estão preenchidas em cerca de 28%, registam o nÃvel mais baixo em três anos, alertou hoje a Rede Europeia dos Operadores de Sistemas de Transporte de Gás (ENTSOG).
“Em 01 de abril de 2026, os nÃveis das reservas de gás da UE estavam em 28% – 314 TWh [terawatts-hora]/cerca de 29 bcm [mil milhões de metros cúbicos] -, abaixo dos três anos anteriores e ao mesmo nÃvel do perÃodo pré-crise energética”, indica a ENTSOG (na sigla inglesa) num relatório hoje publicado.
Num documento com perspetivas de abastecimento para os próximos meses, a rede europeia indica que, “para reabastecer o armazenamento de gás em preparação para o próximo inverno, a Europa necessitará de importações de GNL [gás natural liquefeito] superiores à s observadas anteriormente, juntamente com uma maior utilização das infraestruturas de gás”.
“O agravamento do conflito no Golfo Pérsico está a reduzir a disponibilidade global de GNL e a limitar a capacidade de reenchimento das reservas”, aponta a ENTSOG, numa alusão à crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente, que começou com uma ofensiva israelita e norte-americana contra o Irão.
Para os operadores de gás, “iniciar a época de injeção logo em abril e prolongá-la até novembro proporcionaria maior flexibilidade para encher os armazenamentos antes da próxima época de inverno”.
“Garantir fornecimentos de GNL, coordenar calendários de manutenção e manter flexibilidade operacional na capacidade de armazenamento e importação são essenciais para evitar o risco de nÃveis insuficientes de armazenamento e apoiar a flexibilidade do sistema”, vinca a ENTSOG.
Partindo de um nÃvel de reservas de 28% em 01 de abril de 2026, “as capacidades de injeção e extração das instalações de armazenamento de gás são suficientes para cobrir a procura e atingir um nÃvel de inventário superior a 30% no final do inverno em todos os paÃses da UE, assumindo que o abastecimento de gás é garantido em nÃveis adequados”, refere ainda o relatório.
No final de março, a Comissão Europeia pediu que os paÃses da União Europeia façam uma preparação “coordenada e atempada” para o inverno, dada a perturbação energética no Médio Oriente e que as reservas de gás estão abaixo de 30%.
Dados disponibilizados na internet pela associação que representa operadores de infraestruturas de gás na Europa (Gas Infrastructure Europe) revelam que, no domingo (informação mais recente), as reservas de gás na União Europeia (UE) estão preenchidas a 28,77%.
Portugal — que é um dos 18 paÃses comunitários com armazenamento de gás — é exceção, já que tem as reservas mais elevadas da UE, numa percentagem de 91,74%.
Ainda assim, o armazenamento subterrâneo em cavidades salinas em Portugal é de pouca dimensão em comparação com o resto da Europa, de cerca de três a quatro terawatt-hora.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustÃveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços.
Atualmente, a UE tem vigor regras para armazenamento de gás que ditam que todos os paÃses têm de atingir 90% de enchimento entre 01 de outubro e 01 de dezembro, antes da estação fria.
Â
ANE // MSF
Lusa/Fim



