República Democrática do Congo eleva número de mortos por ébola para 291

Nairobi, 25 jun 2026 (Lusa) – O Governo da República Democrática do Congo (RDCongo) aumentou o número de mortos para 291 e o de casos confirmados para 1.118, no surto de ébola declarado no leste do país a 15 de maio.

O anterio balanço apontava para 1.096 infetados e 277 mortes na RDCongo, que é um dos mais pobres do mundo. Outros casos foram detetados no vizinho Uganda e, na quarta-feira, foi registado o primeiro caso positivo em França.

Foi a primeira vez que um caso de Ébola é diagnosticado em França, num médico humanitário que regressava de uma missão na RDCongo.

No entanto, muitos especialistas consideram provável que a dimensão da epidemia esteja a ser subestimada, uma vez que esta atinge regiões muito remotas e algumas em conflito.

De acordo com o boletim divulgado na noite de quarta-feira pelo Ministério da Comunicação e Media da RDCongo, com dados recolhidos até 23 de junho, a taxa de letalidade está atualmente nos 26%.

Um total de 408 doentes estão “em isolamento/hospitalizados”, e a taxa de rastreio de contactos atingiu os 77,1%, enquanto 122 pessoas recuperaram da doença.

“Os esforços de vigilância, assistência e rastreio de contactos continuam nas áreas afetadas”, sublinharam as autoridades.

O surto foi oficialmente declarado a 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro da epidemia, mas desde então alastrou às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A epidemia alastrou também ao Uganda, onde foram detetados 20 casos confirmados, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, tendo sido registadas duas mortes.

O surto corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera o risco de propagação do surto como elevado na África Subsariana e baixo à escala global.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e declarou a epidemia, a 17 de maio, uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.

A OMS tinha indicado, em meados de junho, que a transmissão da epidemia está a acelerar na RDCongo, apesar do reforço das medidas de resposta sanitária.

Em maio a organização apelou a um cessar-fogo imediato no leste da RDCongo para ajudar a conter a epidemia.

Esta é já a terceira pior epidemia de ébola da história registada.

O pior surto atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e fez cerca de 11 mil mortos e 28 mil infectados.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O Ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.

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