
Angra do HeroÃsmo, Açores, 31 dez 2024 (Lusa) – O representante da República para os Açores considerou hoje que é possÃvel “construir uma Região mais justa e solidária” e é fundamental que os governantes tenham “humildade democrática” para ouvir os “ecos de descontentamento” da sociedade.
“Ainda que o cenário externo para 2025 seja de enorme incerteza, naquilo que depende apenas de nós há razões para manter a chama acesa e acreditar que é possÃvel construir paulatinamente um futuro melhor para os açorianos”, afirmou Pedro Catarino, na sua mensagem de Ano Novo.
Para Pedro Catarino, “com uma sociedade civil mais dinâmica, um tecido empresarial mais empreendedor, e com o apoio de polÃticas públicas coerentes e estáveis, é possÃvel construir uma Região mais justa e solidária, reduzindo as desigualdades e o risco de pobreza, melhorando a qualidade das respostas sociais, e aumentando o rendimento disponÃvel dos trabalhadores e dos empresários”.
Na mensagem de Ano Novo, este responsável também considerou que os processos democráticos “são por regra lentos, exigentes e implicam compromissos que nem sempre se conseguem alcançar”.
“Porque frequentemente os resultados tardam em chegar, as instituições democráticas têm de saber conviver com a impaciência, a frustração e o descontentamento de alguns grupos de cidadãos, mais ou menos alargados, que se sentem desconsiderados, esquecidos, abandonados à sua sorte. Grupos que ora se desinteressam da vida polÃtica, engrossando a abstenção, ora usam o seu voto como forma de protesto”, justificou.
E prosseguiu: “A democracia não garante sempre as soluções certas no momento ideal, mas compreende em si a possibilidade da participação de todos na busca dessas soluções, a existência de mecanismos de autocorreção e, no limite, garante sempre a transição pacÃfica do poder”.
Na sua opinião, “só a democracia proporciona a todos o direito a fazerem ouvir a sua voz, em plena liberdade e sem temer pelas consequências. Só a democracia conseguirá promover uma coesão social que nos una a todos”.
Para Pedro Catarino “é fundamental, em todo o caso, que os governantes tenham a humildade democrática de ouvir os ecos de descontentamento que vêm da sociedade e que, reconhecendo as suas insuficiências, ofereçam uma resposta credÃvel à queles que sentem a tentação de procurar movimentos mais vincadamente populistas”.
“Movimentos polÃticos que, apresentando uma visão dicotómica do mundo, dividido entre o ‘nós’ e o ‘eles’, se limitam a oferecer soluções simplistas para problemas que na realidade são altamente complexos”, alertou.
Assim, neste plano polÃtico interno, considerou que as instituições democráticas nacionais e regionais “têm revelado capacidade para alcançar os compromissos estritamente necessários para garantir a estabilidade polÃtica e a continuidade da ação governativa”.
Na sua mensagem de Ano Novo, o representante da República para os Açores também lembrou que os últimos anos “têm sido particularmente difÃceis, um pouco por toda a parte”.
Os anos de 2020 a 2022 foram “profundamente marcados pela pandemia de covid-19” e as instituições da União Europeia, o Governo da República e o Governo Regional “souberam articular-se para responder à s necessidades das populações”.
Após a “tempestade da covid-19”, os paÃses “foram atingidos por uma onda inflacionista que tolheu os rendimentos dos trabalhadores e das famÃlias”.
“Uma vez mais, a União Europeia, e as autoridades nacionais e regionais desenvolveram um conjunto de polÃticas públicas destinadas, por um lado, a reduzir a pressão inflacionista e, por outro lado, a promover o relançamento de cada uma das economias europeias”, assinalou.
Posteriormente, em fevereiro de 2022, “o espetro da guerra regressou ao solo europeu”, com a Rússia a invadir a Ucrânia.
Pedro Catarino referiu, no entanto, que “apesar de todas estas adversidades de origem externa, a fidelidade aos valores da democracia e do Estado de Direito tem mantido a União Europeia, Portugal e os Açores no caminho certo”.
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