Renamo vai discutir posição sobre eleições distritais em Moçambique

Maputo, 08 mar 2023 (Lusa) — O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade disse hoje que o partido vai discutir a posição a transmitir ao Presidente da República sobre as eleições distritais de 2024.

“Esperávamos poder realizar as eleições distritais porque vêm na Constituição e eu não gostaria de ver o país fazer uma mudança da lei para alterar as eleições, por isso, vamos discutir e ter uma posição para fazer chegar ao Presidente da República”, referiu o líder da oposição moçambicana.

Ossufo Momade falava no final de um encontro com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, na Presidência da República, em Maputo.

Nyusi tem apelado a um debate sobre o assunto, questionando a oportunidade de avançar já nas próximas eleições gerais para a eleição dos administradores dos 154 distritos, atualmente nomeados pelo poder central.

“Lamentamos, porque [o assunto] está a ser-nos apresentado muito tarde. Neste momento não temos nenhuma resposta a dar no que diz respeito às eleições distritais”, disse Ossufo Momade.

Transformar o cargo de administrador num lugar elegível, em vez de ser uma nomeação, foi uma das condições para a paz alcançada entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, antigo líder da Renamo.

Mas Filipe Nyusi disse que no encontro de hoje foram analisados “aspetos técnicos, de consolidação da descentralização e também aspetos financeiros”, sobretudo estando “para embarcar num DDR [desarmamento, desmobilização e reintegração de guerrilheiros da Renamo] em que se pensa em pensões, o que significa envolver também alguns recursos”.

“Os moçambicanos vão encontrar a melhor solução através do diálogo para fazer evoluir a nossa descentralização e a nossa democracia”, concluiu.

Sobre a entrega das armas dos antigos guerrilheiros, um processo que devia ter terminado em 2022, ficou pendente por falta de pagamento de pensões.

No entanto, o processo deverá ser ultrapassado dentro de dias, garantiram Nyusi e Momade.

“Tudo vai ser feito este mês para que se encerre” o dossiê, disse o chefe de Estado, referindo que vão ser dados “pequenos” passos “dentro de dois a quatro dias” que deverão ser decisivos.

Ossufo Momade também se mostrou confiante.

“Da conversa de hoje, temos esperança de que o Governo vai poder aprovar o decreto” para que os ex-guerrilheiros da Renamo “possam ter as suas pensões”, sublinhou, acrescentando: “É um dado adquirido”.

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