
Maputo, 13 out 2023 (Lusa) – A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, rejeitou hoje a derrota nas eleições autárquicas nos sete municÃpios da provÃncia de Cabo Delgado, norte do paÃs, qualificando os resultados de “fabricados”.
“Não reconhecemos nenhuma vitória de nenhuma autarquia na provÃncia de Cabo Delgado, não reconhecemos porque são resultados fabricados”, disse Manuel Alex Macuane, delegado polÃtico da Renamo, em conferência de imprensa.
A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, venceu todas as sete autarquias da provÃncia de Cabo Delgado na eleição autárquica de quarta-feira, conquistando uma à Renamo, conforme dados anunciados hoje pela Comissão Provincial de Eleições.
Reagindo a esta informação, o delegado da Renamo naquela provÃncia avançou que o partido “distancia-se dos resultados divulgados pela CNE”.
Manuel Alex Macuane declarou que a vitória da Frelimo foi resultado de “enchimento de urnas”.
Macuane apontou as autarquias de Chiúre, governada pela Renamo, e da MocÃmboa da Praia, como “casos evidentes” do que considerou fraude, acusando a polÃcia de ter recorrido à violência para reprimir e intimidar os eleitores.
No caso da autarquia de Chiúre, disse, “não haverá governo”, porque “não pode “governar um ladrão que inverteu os resultados”.
O delegado da Renamo na provÃncia de Cabo Delgado adiantou que o partido submeteu um recurso no Tribunal Judicial do Distrito de Chiúre contra os resultados do escrutÃnio nesta autarquia.
O Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) moçambicano confirmou na quinta-feira que ainda não recebeu qualquer resultado das eleições autárquicas nos 65 municÃpios e que o apuramento, 24 horas depois do fecho da votação, continua na fase intermédia.
Pouco mais de 4,8 milhões de eleitores podiam votar nestas eleições autárquicas nos 65 municÃpios do paÃs.
Os eleitores moçambicanos foram chamados a escolher 65 novos presidentes dos Conselhos Municipais e eleitos às Assembleias Municipais, incluindo em 12 novas autarquias aprovadas por Conselho de Ministros em outubro de 2022, que se juntam a 53 já existentes, num total de 1.747 membros a eleger.
Moçambique está a iniciar um novo ciclo eleitoral, que além das autárquicas, prevê eleições gerais em 09 de outubro de 2024, nomeadamente com a escolha do novo Presidente do paÃs, cargo ao qual o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi, já não pode, constitucionalmente, candidatar-se.
Concorreram à s eleições autárquicas mais de 11.500 candidatos de 11 partidos polÃticos, três coligações de partidos e oito grupos de cidadãos, tendo a CNE determinado 1.486 Locais de Constituição e Funcionamento das Assembleias de Voto e 6.875 mesas de Assembleia de Voto.
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