
Lisboa, 12 fev 2026 (Lusa) — O antigo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses Jaime Marta Soares disse hoje que a relação institucional com o INEM passou por um processo de transformação, após anos marcados por uma ausência de diálogo e “costas voltadas”.
“Conseguimos, eu e o doutor [LuÃs] Meira, mudar completamente a face da vivência da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) com o INEM”, afirmou Marta Soares, sublinhando que esse entendimento permitiu ultrapassar um ciclo prolongado de afastamento entre as instituições.
O ex-dirigente da LBP falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas polÃticas com o instituto desde 2019.
De acordo com Jaime Marta Soares, apesar das dificuldades, foi possÃvel construir uma relação sólida com o então presidente do INEM, LuÃs Meira.
O antigo responsável da LBP destacou que o diálogo passou a ser “profundo e construtivo”, permitindo ao Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) focar-se “nas pessoas, nas vÃtimas de acidente e doença súbita, nos operacionais e na melhoria do socorro”.
“Foram definidos princÃpios estruturantes do SIEM, que concernem o papel dos bombeiros, com a Liga a assumir um papel fundamental na promoção da qualidade do socorro pré-hospitalar”, precisou.
Entre as mudanças concretas, Marta Soares destacou a criação de reuniões mensais entre a LBP e o INEM — algo que antes “não existia” — e a revisão de procedimentos que afetavam diretamente os corpos de bombeiros. Um dos exemplos foi a descentralização das vistorias à s ambulâncias.
“Negociámos e encontrámos uma solução conjunta para que as vistorias fossem feitas nas próprias terras, junto dos centros de inspeção”, explicou, lembrando que antes os veÃculos tinham de percorrer longas distâncias, com custos elevados e impacto operacional.
Marta Soares destacou ainda o papel da LBP como mediadora, ao longo dos últimos anos, de conflitos e na resolução de matérias sensÃveis entre o INEM e os corpos de bombeiros.
“Em diversas ocasiões, a Liga teve um papel muito importante como mediador de potenciais conflitos entre o INEM e os corpos de bombeiros, ajudando a esclarecer matérias mais sensÃveis”, salientou.
Segundo o ex-presidente da LBP, entre 2017 e 2019 — antes da pandemia — foi possÃvel avançar em negociações para a criação de um mecanismo de financiamento para a aquisição de ambulâncias.
“Foi possÃvel acordar a implementação de um mecanismo de financiamento para a aquisição de ambulâncias para os bombeiros, que permitiu renovar, de forma muito rápida, cerca de duas centenas de viaturas dos Postos de Emergência Médica (PEM)”, realçou, destacando que o INEM aceitou que estas ambulâncias tivessem uma caracterização própria.
Marta Soares acrescentou que “a disponibilidade das ambulâncias afetas ao SIEM aumentou, melhorando a resposta dos bombeiros no socorro pré-hospitalar”, com a cobertura a ser “muito mais adequada, competente e resiliente”.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades polÃticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e inÃcio de novembro de 2024 e a relação das tutelas polÃticas com o instituto desde 2019.
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