Referendo de Alberta: propostas de Danielle Smith enfrentam resistência

Foto: Envato

A premier de Alberta, Danielle Smith, arrisca um revés político no referendo de 19 de outubro.  As nove perguntas sobre imigração e alterações constitucionais, que a líder esperava ver aprovadas, enfrentam resistência de vários quadrantes políticos.

As propostas incluem dar à província maior controlo sobre a imigração, limitar o acesso de residentes não permanentes a determinados serviços públicos e alterar a Constituição para reforçar os poderes de Alberta face ao Governo federal.

O Governo provincial investiu quatro milhões de dólares canadianos numa campanha publicitária para promover as nove propostas.  Ainda assim, dirigentes do Partido Conservador Unido, liderado por Danielle Smith, receiam que algumas possam ser rejeitadas, ou até mesmo todas.

A oposição também vem de setores inesperados.  Entre os separatistas, há quem considere que estas propostas desviam a atenção da questão da independência.  Jeffrey Rath, do Alberta Prosperity Project, pede aos eleitores que as rejeitem. Já Keith Wilson, outra figura do movimento, chamou-lhes um truque político, embora tenha afirmado que votará a favor.

Os antigos premiers conservadores Ed Stelmach e Alison Redford juntaram-se à antiga líder do NDP, Rachel Notley, para pedir votos contra as propostas sobre imigração.  Alertam que as medidas podem prejudicar a economia e a capacidade de Alberta para atrair trabalhadores.  Sindicatos, representantes empresariais e líderes religiosos também manifestaram preocupação.

As sondagens mostram opiniões divididas.  Um inquérito realizado em setembro para a CBC revelou que 52% dos inquiridos se opõem a limitar o acesso de imigrantes temporários à saúde e à educação.  Entre os eleitores que já decidiram como votar nas nove propostas, apenas cerca de um em cada dez tenciona apoiar todas as medidas.

O referendo realiza-se a 19 de outubro.  O resultado poderá ser um teste à estratégia de Danielle Smith e à sua capacidade para mobilizar apoio às mudanças que pretende introduzir na relação entre Alberta e o Governo federal.