Rebeldes estão a abandonar Memba devido à pressão militar – Governador

Maputo, 26 nov 2025 (Lusa) – O governador de Nampula, no norte de Moçambique, disse hoje que os grupos rebeldes que protagonizam ataques armados no distrito de Memba, naquela província, estão a abandonar a região devido à pressão das Forças de Defesa e Segurança.

“Há feridos graves que estão a ser puxados (…). Eles atravessaram há uns dias, (…) antes de ontem e ontem, para o lado de Cabo Delgado, para a zona de Chiúre, portanto, abandonaram o nosso território”, disse o governador de Nampula, Eduardo Abdula.

O governador acrescentou que pode ainda haver “um e outro perdido, mas a (…) missão é continuar com a caça e continuar a perseguir”.

Segundo Abdula, as Forças de Defesa e Segurança estão a fazer um “excelente” trabalho em resposta ao terrorismo e, para apoiar as suas operações, a província vai entregar dois dos dez ‘drones’ [aparelhos não tripulados] prometidos para facilitar a “caça” aos alegados terroristas.

“Vamos fazer a entrega oficial daquilo que prometemos, os ‘drones’ para andar à caça desses bandidos”, declarou o governador, explicando que os ‘drones’ “de alta precisão” devem servir para realizar missões de vigilância, reconhecimento e posterior ataque aos alegados terroristas no distrito de Memba.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou na terça-feira que um total de 71.983 pessoas fugiram em uma semana do distrito de Memba, Nampula, devido a ataques de grupos terroristas.

De acordo com um relatório de campo daquela agência das Nações Unidas, os recentes ataques de grupos armados não estatais no distrito de Memba, entre 10 e 17 de novembro, desencadearam novas deslocações, agravando a escalada da violência no norte de Moçambique em 2025.

Segundo a OIM, as mulheres, raparigas, idosos e as pessoas com deficiência enfrentam vulnerabilidades ainda maiores, incluindo a exposição à violência baseada no género, falta de privacidade e o acesso limitado a instalações.

A província de Cabo Delgado, também no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

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