
Lisboa, 15 out 2021 (Lusa) – O eurodeputado Paulo Rangel anunciou hoje a sua candidatura à liderança do PSD perante o Conselho Nacional, dizendo que o partido tem de deixar de ser “da espera” e passar a ser “da esperança”.
“Não podemos ser mais o partido da espera, da espera em cair de maduro. Temos de ser o partido da esperança”, afirmou, de acordo com relatos de conselheiros nacionais presentes na reunião à porta fechada.
“Que o dia 4 de dezembro represente a fecundação do partido que seja capaz de criar esperança”, afirmou, dizendo que muito brevemente apresentará publicamente a candidatura.
As eleições diretas do PSD foram hoje marcadas para 04 de dezembro e o Congresso vai realizar-se entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa.
Na sua intervenção, segundo relatos feitos à Lusa, Paulo Rangel defendeu que o partido tem de ter “um projeto agregador” e que não diabolize pessoas dentro do partido e assumiu uma divergência estratégica com o lÃder.
“Não acredito num PSD cuja função seja estar sentado no sofá à espera que o Governo de Costa caia de maduro”, afirmou, numa passagem muito aplaudida pelos conselheiros nacionais.
“Eu quero ser o partido que tem uma alternativa ao Costa”, acrescentou.
Rangel disse concordar com Rio que a oposição tem de ser responsável “e não trauliteira”, mas sobretudo “tem de ser oposição”.
A nÃvel de temáticas, o antigo lÃder parlamentar lamentou que o partido nada tenha dito nos últimos dias sobre os problemas registados em vários hospitais e, sobre o projeto de revisão constitucional anunciado pela direção de Rio, disse não ser uma prioridade.
“Ninguém está à espera disso em casa”, afirmou.
Rangel respondeu também indiretamente à s crÃticas de deslealdade que alguns membros da direção lhe têm dirigido, dizendo não as aceitar.
“Digo, olhos nos olhos, que serei candidato à liderança do PSD. Com toda a lealdade, mas também com toda a liberdade”, afirmou.
Rangel deu os parabéns a todos os candidatos autárquicos do partido e também à direção pelos resultados de 26 de setembro, mas recusou as acusações de que andou “a fazer contra campanha” ao partido.
“Não aceito lições de deslealdade, dr. David Justino”, afirmou, dirigindo-se ao vice-presidente do partido, dizendo ter sido “vilipendiado” nos últimos dias.
O eurodeputado afirmou que, se fosse desleal, na noite eleitoral das europeias de 2019, tinha responsabilizado o PSD pelo “acordo” com PCP e BE na crise dos professores, recordando ocasiões em que discordou publicamente do atual lÃder, como por não ter feito o referendo sobre a eutanásia ou pelo fim dos debates quinzenais, mas recusou ter andado em conspirações.
Paulo Rangel, 53 anos, é eurodeputado desde 2009, tendo sido por três vezes consecutivas cabeça de lista nas europeias pelo PSD, e é vice-presidente do Partido Popular Europeu.
LÃder parlamentar do PSD entre 2008 e 2009, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite, Rangel disputou a presidência do PSD em 2010, conseguindo 34,4% dos votos contra os 61% de Pedro Passos Coelho, numas eleições a que também concorreram José Pedro Aguiar Branco (3,42%) e Castanheira Barros (0,27%).
Em 2017, voltou a ponderar concorrer à presidência do PSD, aquando da saÃda de Pedro Passos Coelho, mas decidiu não avançar invocando razões de ordem familiar.
Nas últimas diretas, em 2020, apoiou o atual presidente, Rui Rio, contra LuÃs Montenegro e Miguel Pinto Luz, mas meses mais tarde viria a recusar um convite da direção para ser o candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto.
O presidente do PSD, Rui Rio, ainda não esclareceu se será ou não recandidato ao cargo.
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