
Coruche, Santarém, 05 mai 2025 (Lusa) — O secretário-geral do PCP marcou hoje presença no Couço, vila de Coruche conhecida pela sua resistência antifascista, onde agradeceu a coragem de mulheres e homens daquela vila na ditadura, mas lembrou que a luta “ainda não acabou”.
Num almoço da CDU (Coligação Democrática Unitária – PCP e Partido Ecologista “Os Verdes”) com reformados na Casa do Povo do Couço, no concelho Coruche, Paulo Raimundo começou o seu discurso a chamar a atenção para o simbolismo daquela vila do distrito de Santarém e de toda a sua história de luta contra o Estado Novo, onde também anteriores lÃderes do PCP marcaram presença.
“É um privilégio e uma honra poder estar aqui nesta terra convosco, neste extraordinário almoço, com uma confeção extraordinária, com um serviço exemplar, por gente que aqueles que não estão aqui todos os dias à s vezes não conhecem o nome, mas mulheres e homens, alguns com dezenas de anos de prisão, alguns com dezenas de anos de luta, com um empenho extraordinário para que Abril chegasse à vida de todos nós. Obrigado pelo vosso esforço”, disse Paulo Raimundo, no final do almoço, enquanto discursava.
O lÃder comunista recordou que o PCP não vai ao Couço em campanha eleitoral, mas que está ali todos os dias, assim como esteve “durante 48 anos de fascismo”, onde homens e mulheres, nas lutas contra o trabalho de sol a sol e contra o Estado Novo, foram presos e torturados.
“Não só não nos esquecemos como não permitimos que se esqueça essa história e essa entrega”, sublinhou, referindo que, mesmo não sabendo o que sairá das legislativas e quando serão as próximas, o PCP voltará “outra vez ao Couço” para agradecer à queles que lutaram.
Apesar disso, Paulo Raimundo vincou que a luta daqueles que o ouviam “ainda não acabou”.
“Não abdicamos da vossa coragem para continuarem esta luta”, disse, considerando que é preciso “que cada um seja um instrumento de campanha”, que “abra o caminho de esperança”, que muitos dos que estavam naquele almoço sabiam “tão bem como é que se abre, porque foi esse que foi aberto há 51 anos”.
Perante uma plateia composta sobretudo por reformados, Paulo Raimundo criticou “a polÃtica da loucura da guerra”, vincando que a CDU não troca “armas por pensões e por salários”.
O lÃder do PCP reafirmou a necessidade do aumento de reformas e pensões e acesso à reforma sem penalização depois de 40 anos de descontos, criticando quem alerta para a sustentabilidade da Segurança Social quando se fala dessas melhorias.
“Para quem trabalha a vida inteira nunca há dinheiro. Para os outros, há sempre justificações para encontrar a transferência de valores para os seus cofres”, disse.
Paulo Raimundo constatou o que disse ser a incoerência de se falar de “mais tempo, mais horas e mais anos de trabalho”, num momento em que a tecnologia “avança a olhos vistos” e que poderão “desaparecer milhares de trabalhos e trabalhadores porque a inteligência artificial vai ocupar esse espaço”.
“Há aqui qualquer coisa que não está a bater bem”, notou.
Antes do almoço começar, Paulo Raimundo dirigiu-se às cozinheiras que tratavam do almoço, para as cumprimentar.
A uma das mulheres que preparava a comida, perguntou como estava. “Rija, sempre rija”, respondeu-lhe.
A última vez que a CDU elegeu em Santarém foi em 2019, cÃrculo eleitoral onde até então conseguiu sempre um deputado em todas as legislativas realizadas no século XXI.
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