
Doha, 19 mar 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro do Qatar avisou hoje o Irão que os seus ataques na quarta-feira contra instalações de gás no seu país são uma prova de que Teerão não visa apenas interesses norte-americanos no Golfo.
“As persistentes alegações iranianas de que os ataques visam interesses americanos não podem ser aceites”, afirmou em conferência de imprensa Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, que é também chefe da diplomacia de Doha.
Para o líder do emirado, o bombardeamento de Ras Laffan, a principal instalação de produção de gás natural liquefeito do Qatar, “prova-o claramente”.
Este ataque tem “grandes repercussões para o fornecimento global de energia”, segundo Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, e “não trazem qualquer benefício direto” a nenhum país.
“Pelo contrário, causam danos e têm um impacto direto nas populações”, criticou.
O Qatar condenou hoje novos ataques iranianos à sua infraestrutura energética durante a última madrugada, depois de a refinaria de Ras Laffan ter sido atingida na véspera, provocando um incêndio e “danos consideráveis”, segundo as autoridades de Doha.
Os ataques contra instalações de petróleo e gás natural na região do Golfo são justificados por Teerão como uma resposta a bombardeamentos na quarta-feira, que atribui a Israel, do campo de gás de South Pars, integrado no maior complexo do mundo e partilhado com o Qatar.
Nas últimas 24 horas, os ataques iranianos visaram também os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e a Arábia Saudita.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, avisou hoje na rede social X que os últimos ataques de Teerão são apenas “uma parte” das suas capacidades e ameaçou que não haverá “nenhuma contenção” caso as suas infraestruturas energéticas sejam novamente alvejadas.
O ministro acrescentou que qualquer solução para a guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel “deve incluir reparações pelos danos” causados às instalações civis iranianas.
Desde o início do conflito, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e países vizinhos do Golfo, visando em particular bases militares norte-americanas e também infraestruturas económicas. Os últimos ataques a infraestruturas energéticas representam porém uma escalada significativa.
Ao mesmo tempo, Teerão colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, restringindo o tráfego de petroleiros na passagem que representa 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que fez disparar o preço do barril de crude para cerca de 120 dólares (cerca de 104 euros, ao câmbio atual).
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