
Moscovo, 15 jan 2026 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje que ainda espera um acordo de paz “o mais depressa possÃvel” para o conflito na Ucrânia e normalizar as relações com os paÃses europeus, que considera estarem atualmente reduzidas ao mÃnimo.
Dirigindo-se a dez embaixadores europeus que lhe apresentaram hoje as suas credenciais numa cerimónia no Kremlin, o lÃder russo alertou que as relações com a Europa “deixam muito a desejar” e manifestou confiança em restaurá-las no futuro.
“Quero sublinhar que o diálogo e os contactos foram reduzidos ao mÃnimo, tanto na esfera oficial, empresarial como pública, mas não por culpa nossa”, observou.
Vladimir Putin disse que a interação com a Europa, que já foi o maior parceiro comercial da Rússia, ficou também congelada no que diz respeito ao diálogo sobre questões internacionais e regionais.
“Quero acreditar que, com o tempo, a situação irá mudar e os nossos paÃses regressarão a uma comunicação normal e construtiva, baseada no respeito pelos interesses nacionais e na consideração das legÃtimas preocupações de segurança”, afirmou.
Para Putin, as relações da Rússia com cada um dos paÃses cujos embaixadores estiveram presentes na cerimónia de hoje, incluindo Portugal, têm “raÃzes históricas profundas e estão repletas de exemplos de parcerias mutuamente benéficas e enriquecedora cooperação cultural”.
Na cerimónia, o Presidente russo defendeu também “a consolidação das condições que permitam alcançar, o mais depressa possÃvel uma solução pacÃfica” para o conflito na Ucrânia.
“O nosso paÃs aspira a uma paz duradoura e sólida que garanta de forma fiável a segurança de cada pessoa. No entanto, nem todos, incluindo Kiev e as capitais que a apoiam, estão preparados”, criticou, aludindo aos paÃses europeus aliados da Ucrânia.
Até que outros paÃses compreendam esta necessidade, Putin insistiu que a Rússia continuará a “perseguir os seus objetivos”, reafirmando que a crise na Ucrânia é consequência do desrespeito “durante muitos anos” dos interesses de Moscovo e do incumprimento das potências ocidentais em honrar a sua “promessa pública” de não expandir a NATO para leste.
O Kremlin não confirmou hoje a iminente chegada a Moscovo, noticiada pela imprensa internacional, dos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner para discutir o plano de paz do Presidente norte-americano, Donald Trump, para a Ucrânia, que se encontra há várias semanas num impasse.
Moscovo recusou-se igualmente a confirmar se apoia o envio de tropas estrangeiras para o paÃs vizinho, particularmente se essas forças incluÃam militares de paÃses de paÃses do Sul Global, como a China.
Antes das declarações de Putin, o porta-voz do Kremlin tinha afirmado hoje que Moscovo concorda com as declarações do Presidente norte-americano de que o principal obstáculo à paz na Ucrânia é o lÃder do paÃs, Volodymyr Zelensky.
“Podemos concordar com isso. É de facto o caso”, comentou Dmitri Peskov na sua primeira conferência de imprensa telefónica de 2026.
Peskov reagia às declarações de Trump, que sugeriu que o Presidente russo demonstrou maior disponibilidade do que Zelensky para aceitar o plano de paz da Casa Branca.
“A situação está a piorar de dia para dia para o regime de Kiev. Já o dissemos. E a janela para a tomada de decisões está a fechar-se”, disse ainda o porta-voz do Kremlin.
A cerimónia de entrega de credenciais de embaixadores estrangeiros foi a primeira em mais de um ano e contou com a presença de mais de 30 diplomatas, entre os quais se encontravam embaixadores de dez paÃses europeus, bem como os chefes de missões diplomáticas de Cuba, Brasil, Uruguai, Colômbia e Peru, além dos novos representantes de Israel e do Afeganistão.
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