
São Petersburgo, Rússia, 17 jun 2022 (Lusa) – O Presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje que a União Europeia (UE) perderá mais de cerca de 400 mil milhões de euros no próximo ano, devido à s sanções que impôs contra Moscovo, por causa da invasão da Ucrânia.
“Segundo estimativas de especialistas, a febre das sanções pode causar prejuÃzos diretos à UE de mais de 400 mil milhões de dólares (cerca de 400 mil milhões de euros) no próximo ano. Esse é o preço de decisões distantes da realidade e tomadas sem bom senso”, denunciou Putin, no Fórum Económico de Petersburgo.
Para o lÃder russo, a UE já perdeu a sua soberania e as suas elites “dançam ao som da música de outros”, referindo-se à influência dos Estados Unidos e à incapacidade dos paÃses europeus para definirem uma estratégia própria.
“Fazem tudo o que desde cima lhes mandam fazer, causando danos à sua própria população e à sua economia, aos seus negócios”, denunciou Putin, referindo-se à s sanções impostas a Moscovo por Bruxelas.
Putin disse que a inflação em vários paÃses da zona euro já ultrapassou os 20%, em grande parte por causa do boicote aos produtos energéticos russos.
“O aumento dos preços, a inflação, os problemas com alimentos e combustÃveis, gasolina, os problemas do setor energético como um todo são fruto de erros sistémicos na polÃtica económica do atual Governo norte-americano e da burocracia europeia”, explicou Putin.
Sobre o impacto das sanções ocidentais na economia russa, Putin desvalorizou os efeitos.
“Estamos a normalizar a situação económica, passo a passo. Começámos por estabilizar os mercados financeiros, o sistema bancário e as cadeias comerciais. Depois, começámos a injetar liquidez na economia, para manter a estabilidade das empresas”, disse Putin.
Vladimir Putin defendeu ainda que estamos a viver o fim do mundo unipolar liderado pelos Estados Unidos, apesar das tentativas do Ocidente de o preservar “através de todos os meios”.
Para o Presidente russo, essa era “chegou ao fim” e vamos assistir a uma mudança “que é um processo natural da história”.
“Os Estados Unidos parecem não perceber que, nas últimas décadas, novos e poderosos centros se formaram e estão cada vez mais a ganhar voz, cada um deles desenvolvendo os seus sistemas polÃticos e instituições públicas”, explicou Putin.
Para explicar o declÃnio do Ocidente, o lÃder russo lembrou que os EUA deixaram de ser um paÃs exportador, para se tornarem economia importadora, o que provocou uma crise económica global.
Sobre a situação na Ucrânia, Putin garantiu que as forças militares russas cumprirão “sem falhas” os objetivos iniciais da “operação militar especial”, iniciada em fevereiro.
O Presidente russo elogiou a “coragem e heroÃsmo dos soldados”, “a consolidação da sociedade russa”, bem como a compreensão do caráter “justo” desta operação militar.
Putin repetiu que foi “obrigado” a iniciar a campanha militar, em face de “riscos e ameaças” à Rússia, alegando que o seu paÃs tem o direito de “defender a sua segurança”.
“A decisão visa proteger os nossos cidadãos, os habitantes das repúblicas do Donbass, que ao longo de oito anos foram submetidos ao genocÃdio pelo regime de Kiev e por neonazis protegidos pelo Ocidente”, conclui o lÃder russo.
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