
Moscovo, 06 mai 2025 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu hoje um “acordo justo” entre Washington e Teerão sobre a questão nuclear iraniana, junto do seu homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, anunciou o Kremlin.
“O lado russo reafirmou a sua disponibilidade para contribuir para a promoção deste diálogo com vista a chegar a um acordo justo, baseado nos princÃpios do direito internacional”, afirmou a presidência russa em comunicado, após um telefonema entre os dois lÃderes.
As negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irão foram retomadas no passado mês de abril, mediadas por Omã, após um hiato de sete anos desde 2018, quando no seu primeiro mandato presidencial Donald Trump decidiu a retirada unilateral dos EUA do Acordo Nuclear de 2015.
Este regresso ao diálogo ocorre num contexto de tensões crescentes, com o Irão a enriquecer urânio a nÃveis próximos dos necessários para armamento nuclear e os EUA a reforçarem a sua postura militar na região.
Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, apelou a Washington para evitar exigências “irrealistas”.
“A conclusão de um acordo neste sentido é inteiramente possÃvel, mas as posições irrealistas e ilógicas devem ser evitadas”, disse o chefe da diplomacia iraniana à responsável pela polÃtica externa da UE, Kaja Kallas, por telefone, de acordo com comentários relatados por Teerão.
Em 27 de Abril, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aliado de Donald Trump, apelou aos Estados Unidos para que chegassem a um acordo privando o Irão de qualquer capacidade de enriquecimento de urânio e impedindo-o de desenvolver mÃsseis balÃsticos.
O Presidente Trump, agora no seu segundo mandato, tem adotado uma abordagem de “pressão máxima”, exigindo o desmantelamento total do programa nuclear iraniano. Em entrevistas recentes, afirmou que só aceitará um acordo que elimine completamente a capacidade nuclear do Irão, embora tenha expressado abertura para considerar argumentos a favor de um programa nuclear civil, desde que não conduza à proliferação de armas.
As negociações, mediadas por Omã, têm sido marcadas por avanços e recuos.
A quarta ronda de conversações, prevista para Roma, foi adiada indefinidamente após os EUA imporem novas sanções a entidades iranianas, acusando Teerão de apoiar milÃcias no Iémen.
Apesar disso, o Irão mantém-se disponÃvel para continuar as negociações, reiterando o seu compromisso com um programa nuclear pacÃfico e a necessidade de levantamento das sanções económicas.
Neste cenário, a Rússia tem procurado posicionar-se como mediadora, assumindo que tem interesses estratégicos na região, incluindo acordos energéticos com o Irão e uma postura crÃtica em relação à polÃtica externa dos EUA.
A posição de Putin é significativa, pois a Rússia é um dos signatários originais do acordo nuclear internacional e tem influência tanto em Teerão como em Washington e a sua intervenção pode ser vista como uma tentativa de reforçar o seu papel geopolÃtico e de evitar uma escalada militar que desestabilize ainda mais o Médio Oriente.
RJP //APN
Lusa/Fim



