
Teerão, 14 abr (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que os ataques à SÃria foram realizados sem qualquer enquadramento legal e constituem um “ato de agressão contra um estado soberano”.
Os ataques com mÃsseis foram realizados “sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, em violação da Carta das Nações Unidas e de normas e princÃpios do direito internacional” e constituem “um ato de agressão contra um Estado soberano que está na vanguarda da luta contra o terrorismo”, refere Putin em comunicado.
Moscovo insiste que não existiu qualquer ataque com armas quÃmicas por parte de Damasco e acusou as potências ocidentais de tentarem procurar uma desculpa para executarem o ataque.
“Especialistas militares russos que visitaram a cena deste incidente imaginário não encontraram evidências de uso de cloro ou outras substâncias tóxicas, e nenhum morador local confirmou um ataque quÃmico”, afirma Putin no comunicado.
Segundo o lÃder russo, o Ocidente tem “mostrado um desprezo” pela Organização para a Proibição de Armas QuÃmicas (OPAQ), que deveria começar os seus trabalhos de verificação no local hoje, ao optar por “uma ação militar sem esperar pelos resultados da investigação”.
“Através das suas ações, os Estados Unidos agravaram a crise humanitária na SÃria, trazem sofrimento para a população civil, favorecem os terroristas que assolam há sete anos o povo sÃrio e causam uma nova onda de refugiados”, considerou ainda a Rússia.
Os Estados Unidos da América, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mÃsseis contra alvos associados à produção de armamento quÃmico na SÃria, em resposta a um alegado ataque com armas quÃmicas na cidade de Douma, Ghuta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad.
A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mÃsseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas quÃmicas, informou o Pentágono.
O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à “ação monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição e prometeu que a operação irá durar “o tempo que for necessário”.
O embaixador da Rússia em Washington, Anatoli Antonov, advertiu que este ataque “não ficará sem consequências”.
Peritos da Organização para a Proibição de Armas QuÃmicas (OPAQ) tinham previsto iniciar hoje uma investigação sobre o alegado ataque com armas quÃmicas. A missão recebeu um convite do Governo sÃrio, sob pressão da comunidade internacional.
Mais de 40 pessoas morreram e 500 foram afetadas no ataque de 07 de abril contra a cidade rebelde de Douma, em Ghuta Oriental, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas quÃmicas.
A oposição sÃria e vários paÃses acusam o regime de Al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que o ataque foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.
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