Pureza propõe refundação do SNS contra “pacto de regime para o desqualificar”

Lisboa, 30 nov 2025 (Lusa) – O novo coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, propôs hoje um programa de refundação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), lembrando figuras como Arnaut ou João Semedo, contra o “pacto de regime” que pretende desqualificá-lo.

“As pessoas estão fartas da ladainha da necessidade de um pacto de regime para a saúde. Toda a gente sabe que há muito tempo que há um pacto de regime para desqualificar o Serviço Nacional de Saúde, para retirar a quem precisa a segurança de ter um hospital de portas abertas, para trocar a universalidade do SNS pelo negócio privado só para quem pode”, defendeu José Manuel Pureza, na 14.ª Convenção Nacional do BE, que terminou hoje em Lisboa.

O antigo deputado, que foi hoje consagrado coordenador, numa das fases mais difíceis do BE, acusou o Estado de estar a falhar na saúde, algo que significa “um enorme jackpot para os liberais que a querem privatizar”.

“A esse pacto realmente existente que nos tem governado, o Bloco opõe um programa de refundação do SNS, honrando a herança que nos deixaram António Arnaut e João Semedo, com profissionais qualificados, fim do trabalho precário, carreiras, compromissos a longo prazo, prevenção e cuidados primários, enfermeiro de família para toda a gente, unidades de saúde próximas e descentralizadas”, propôs.

O antigo vice-presidente da Assembleia da República considerou que o Estado também está a falhar na habitação “com falta deliberada de oferta pública, com expulsão dos habitantes do centro das cidades por um alojamento local desregulado, com capitulação face aos fundos especuladores”.

“A multiplicação de bairros de lata é a vergonha da democracia. Os partidos não se podem esquivar à coragem de enfrentar a gula dos interesses poderosos que negam o direito à habitação”, criticou.

Pureza comprometeu-se a trabalhar com “autarcas, ativistas, independentes, gente que estuda, movimentos, gente simplesmente preocupada, inquilinos, gente de cooperativas, para dotar a esquerda e o país de um programa ambicioso que devolva a toda a gente a certeza de que uma casa digna não é uma utopia, é mesmo uma realidade”.

“Queremos uma esquerda socialista sem vergonha de dizer que é de esquerda”, atirou, prometendo um Bloco “que dispute mais na luta social, para representar e se unir a quem se mobiliza pela habitação, pela solidariedade com a Palestina ou o Sahara Ocidental, pela emergência climática, por todos os direitos de todos”.

“Não viramos a cara a ninguém, vamos disputar os jovens à extrema-direita em cada escola, vamos atrás de todas as mentiras, vamos mostrar como a corrupção está instalada nos interesses que financiam os pré-fascistas, os pós-fascistas e os fascistas inteiros”, garantiu.

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