
Lisboa, 13 set 2026 (Lusa) — A PSP alertou hoje para um aumento de imigrantes em situação irregular que estão a chegar de comboio e autocarro à s zonas metropolitanas de Lisboa e Porto provenientes de outras cidades europeias.
“Temos alguns fatores de risco identificados, especialmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto naquilo que são fluxos rodoviários e ferroviários de cidadãos a chegar a território nacional. Estão em situação irregular noutros paÃses e procuram movimentar-se dentro do espaço Schengen, mudando de paÃs para paÃs”, disse o diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP, superintendente-chefe João Ribeiro.
O responsável pela UNEF avançou que esta situação não é “propriamente nova”, mas, face ao que tem sido a perceção da PSP e a análise de dados, “estes movimentos secundários relativamente a Portugal têm aumentado”.
João Ribeiro especificou que há pessoas a chegar a Portugal através de autocarro, nomeadamente nos principais terminais rodoviários, e de comboio, tendo a PSP a capacidade de “realizar um controlo móvel de fronteira” nestes locais.
“A intenção, muitas vezes, até pode não ser permanecer em Portugal. Imaginemos, há um cidadão que entrou em território europeu, esteve, por exemplo, nos PaÃses Baixos, na Bélgica, em França. Foram acontecendo situações que o levaram a afastar-se e nunca conseguiu estar em situação legal e chega a Portugal, vai chegando através destes movimentos secundários”, explicou.
Acrescentou que muitas vezes o objetivo é dar o salto para outro paÃs, referindo, como exemplo, a Irlanda em que é necessário utilizar a fronteira aérea.
“Todas estas situações que temos detetado, que resultam de movimentos secundários, de movimentações através da União Europeia, e em que depois, inclusivamente, é utilizada a fronteira aérea para sair do território, permite-nos ter esta perspetiva e esta noção clara de que os movimentos secundários, relativamente a Portugal, aparentam estar a aumentar”, realçou.
O diretor nacional adjunto da PSP considerou que isto “constitui um fator de preocupação” e que vão ter “em atenção” nos próximos meses a fiscalização nestes locais de transportes e de presença de determinadas comunidades dessas nacionalidades, sem especificar quais.
João Ribeiro disse que estes movimentos secundários preocupam atualmente Portugal e a União.
Além dos imigrantes em situação irregular que chegam de comboio ou autocarro, Portugal está também a ser utilizado como “plataforma de acesso” a outros paÃses da União Europeia através das fronteiras aéreas.
“As nossas fronteiras externas representam um fator de risco, mas aquilo que nos preocupa neste momento acabam por ser os movimentos secundários, ou seja, o que se passa dentro do espaço da UE em que Portugal pode ser utilizado, como está a ser utilizado em algumas situações e para isso temos parcerias com outras polÃcias de fronteira”, disse.
De acordo com João Ribeiro, há cidadãos estrangeiros que chegam ao paÃs por via aérea e têm como objetivo não permanecer em Portugal, mas sim dirigir-se para o Norte da Europa, onde existem comunidades e familiares das suas nacionalidades.
“Os desafios estão fundamentalmente centrados numa fronteira aérea como porta de entrada. A nossa estratégia, desde a criação da UNEF sempre foi a questão da reputação da fronteira portuguesa. Passava muitas vezes a mensagem de que era fácil entrar em Portugal. A nossa primeira preocupação é que o controlo seja eficiente e eficaz”, acrescentou.
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