
Coimbra, 18 jan 2023 (Lusa) — O presidente do PSD defendeu hoje que se o Governo está satisfeito com os “lucros da TAP” deve devolver aos contribuintes os 3.200 milhões de euros injetados, ilustrando que davam para 23 obras de transformação do IP3.
“É inacreditável, inenarrável e tem de ser justificado até à s últimas consequências, como é que um governo renacionalizou o capital de uma companhia, no caso até aos 100%, injetou 3.200 milhões de euros dos nossos impostos, do dinheiro do paÃs, para chegar ao fim e dizer, de forma cândida, que agora se vai reprivatizar, não parcialmente, até totalmente o capital da TAP”, alegou.
No final de uma reunião no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que decorreu no âmbito da iniciativa “Sentir Portugal”, LuÃs Montenegro considerou que as decisões tomadas pelo governo socialista “tiveram um impacto absolutamente estrondoso do ponto de vista da injeção de capital”.
LuÃs Montenegro frisou que “esses 3.200 milhões de euros equivaliam, por exemplo, a 23 obras de transformação do IP3 em autoestrada”, e disse que não se sabe “quando é que a torneira vai fechar”, advertindo para uma “cortina de fumo” que, acusou, o Governo vai “tentar criar” sobre os lucros da empresa de aviação.
“Eu bem sei que se vai tentar criar aqui uma cortina de fumo com os lucros que o primeiro-ministro e os titulares das Infraestruturas dizem que a TAP pode vir a ter”, disse, deixando em seguida um desafio ao primeiro-ministro: “Se o Estado português, o Governo português, estão satisfeitos com os resultados deste processo, então devem ser consequentes e entregar aos contribuintes o dinheiro que lhes tiraram, para que estes resultados fossem possÃveis. É este o desafio que eu gostava de lançar, a propósito da auditoria do Tribunal de Contas”, referiu.
LuÃs Montenegro afirmou que considera “muito positivo” que seja feita uma auditoria do Tribunal de Contas, bem como que a Assembleia da República constitua uma comissão parlamentar de inquérito, de forma a que se perceba “toda a dimensão das decisões que foram tomadas nos últimos anos, em Portugal, sobre a TAP”.
“Não tenho dúvida nenhuma, já o digo há vários meses: creio que o que aconteceu na TAP foi um crime polÃtico e financeiro que começou em 2016. E é preciso dizer, olhos nos olhos ao paÃs, ao primeiro-ministro, aos titulares da pasta das Infraestruturas: o pecado original foi em 2016”, vincou.
LuÃs Montenegro assinalou que o PSD pretendia a privatização da transportadora aérea nacional, embora obedecendo a algumas exigências estratégicas.
“O governo do Partido Socialista, de forma inusitada, injustificada e polÃtica e financeiramente absolutamente inaudita, decidiu renacionalizar parte do capital e decidiu trazer para a esfera pública todo o risco associado à operação da TAP, que, naturalmente, em 2020 viveu um momento dramático com todas as companhias aéreas. Mas, a Lufthansa também viveu esse problema, teve a ajuda do Estado alemão e já pagou a ajuda que teve com juros”, concluiu.
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