
Lisboa, 29 jan 2025 (Lusa) – O PS afirmou hoje que o silêncio do primeiro-ministro sobre o caso que levou à demissão de Hernâni Dias demonstra que LuÃs Montenegro tem “dois pesos e duas medidas”.
Em declarações aos jornalistas no parlamento sobre a demissão do ex-secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Hernâni Dias, a deputada do PS e antiga ministra da Habitação, Marina Gonçalves, criticou o que diz ser “uma mudança de atitude” de LuÃs Montenegro na passagem de lÃder da oposição para primeiro-ministro, afirmando que o seu silêncio sobre este caso põe em evidência as suas incoerências.
“Achamos estranho é que o agora primeiro-ministro, que é exatamente a mesma pessoa que era lÃder da oposição, tenha agora uma posição diferente, quer no silêncio, quer na atitude concreta, porque é certo que aceitou o pedido de demissão, mas é certo também que ele partiu do secretário de Estado e não de uma avaliação que no passado era tão rápida a fazer”, apontou.
A deputada insistiu que Montenegro, enquanto lÃder da oposição, “era mesmo muito vocal em qualquer matéria, independentemente das explicações” e se apressava a falar de “peso polÃtico negativo” e a exigir consequências, e frisou que o PS, agora na oposição, “não está a tirar consequências”.
Marina Gonçalves sublinhou ainda que o partido aprovou um requerimento apresentado pelo BE para ouvir no parlamento o ex-secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território por considerar fundamental que haja esclarecimentos sobre o caso que levou à sua demissão.
A socialista ressalvou que os socialistas querem ouvir Hernâni Dias no parlamento antes de “avançar com qualquer outra informação ou diligência” e diz aguardar com “especial enfoque” a escolha do seu sucessor no executivo.
Também a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, reagiu hoje no parlamento à demissão de Hernâni Dias, considerando “absolutamente gravosa” a forma como Hernâni Dias, alegadamente, poderia retirar benefÃcios próprios da alteração da lei dos solos, mas ressalvando que respeita a presunção de inocência do antigo secretário de Estado.
Sousa Real afirmou que os “governantes têm de estar isentos de conflitos de interesses” e lamentou que a saÃda de Hernâni Dias não tenha partido do primeiro-ministro, mas sim resultado da iniciativa do próprio antigo secretário de Estado.
“[O primeiro-ministro] deveria tê-lo feito a partir do primeiro momento, porque não podemos ter esta chico-espertice a governar o paÃs, e menos ainda a ditar as alterações legislativas da forma gravosa como depois veio a ocorrer”, disse, para depois reiterar as crÃticas ao que diz ser um “atentado ambiental” na alteração à lei dos solos.
A lÃder do PAN defendeu também que o primeiro-ministro deve explicações sobre este caso, considerando que este é o tipo de caso que, no passado, levou o PSD, enquanto oposição, a criticar os governos socialistas e que Montenegro deve assegurar que Hernâni Dias não tirará vantagens destas alterações legislativas.
“O primeiro-ministro tem explicações a dar ao paÃs de como é que vai garantir que apesar desta demissão não vai haver aqui um benefÃcio do próprio governante em relação à s empresas que criou. Em nosso entender isso só se faz por uma via: esta legislação não tinha que ter pernas para andar”, concluiu.
Através de uma nota divulgada ontem ao fim da tarde, o primeiro-ministro comunicou que aceitou o pedido de demissão do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, realçando “o desprendimento subjacente à decisão pessoal” de Hernâni Dias. Esta foi a primeira demissão no XXIV Governo Constitucional PSD/CDS-PP que tomou posse a 02 de abril do ano passado e é liderado por LuÃs Montenegro.
TYRS (SMA) // SF
Lusa/fim



