
Redação, 03 jan 2026 (Lusa) — O responsável pelas Relações Internacionais do PS, Francisco Assis, considerou hoje “absolutamente inadmissÃvel” a intenção dos Estados Unidos de dirigirem a Venezuela, qualificando-a como “um retrocesso” e apelando a uma condenação por parte da União Europeia.
“Sobretudo, causou-me perturbação a ideia de que os Estados Unidos vão agora governar, administrar a Venezuela. Isto é um grande retrocesso. Estamos a regressar a uma época histórica que pensávamos completamente ultrapassada. Não faz qualquer sentido, viola todas as regras elementares, constitui uma má mensagem para o mundo, cria um atrito entre o mundo ocidental e as restantes partes do mundo que é altamente negativa, nomeadamente para nós, europeus”, avaliou, em declarações à Lusa.
Francisco Assis reagia à s declarações do Presidente norte-americano, que afirmou que os Estados Unidos vão “dirigir a Venezuela” até estar concluÃda uma transição de poder.
“Esta declaração do Presidente [Donald] Trump é absolutamente inadmissÃvel nos seus pressupostos, na sua substância, naquilo que se propõe fazer. Não é assim que se resolvem os problemas”, defendeu.
Para o responsável pelas Relações Internacionais do PS, os Estados Unidos cometeram “um erro muito grave” ao deterem Nicolás Maduro e a mulher Cilia Flores numa operação relâmpago noturna das forças especiais.
“Em primeiro lugar, esta atitude merece condenação, porque constitui uma violação grosseira da legalidade internacional, como sabemos. E, para além disso, constitui um erro do ponto de vista dos próprios interesses, da própria regulação do sistema internacional. Isto porquê? Porque cria, de facto, um ambiente de imprevisibilidade, de receio e de medo até em várias zonas do mundo e, em particular, na América Latina”, justificou.
Embora lembre que o Nicolás Maduro não tinha legitimidade, uma vez que “as últimas eleições foram uma autêntica farsa”, o antigo eurodeputado socialista declarou que “não é por esta via ilegÃtima que se vai agora resolver um problema de ilegitimidade do governo da Venezuela”.
“Compreendo que haja, entre os venezuelanos que estão no exÃlio, um grande contentamento pela queda do Maduro. Compreendo perfeitamente essa situação. Mas a verdade é que não é esta a forma de resolver os problemas, não é esta a forma de contribuir para a democratização de um paÃs”, sustentou.
Assim, Francisco Assis instou a União Europeia (EU) a ser “firme na condenação deste comportamento por parte da administração norte-americana”.
“Os Estados Unidos são um grande aliado, são um paÃs amigo, são um paÃs com quem a Europa tem um relacionamento preferencial, mas até por isso nós temos a obrigação de dizer claramente que não concordamos com este tipo de atuação e que este tipo de atuação prejudica o mundo e prejudica muito em particular os próprios Estados Unidos e a UE, porque nos isola mais no quadro internacional”, completou.
O responsável pelas Relações Internacionais do PS acredita que a UE deveria “fazer todos os esforços” no sentido de dissuadir Trump de governar a Venezuela.
“Penso que a UE, […] perante esta declaração, tem que ter um gesto, tem que ter uma atitude, tem que ter palavras mais duras do que aquelas que foi tendo ao longo do dia de hoje, porque é inaceitável a ideia de que os Estados Unidos vão governar a Venezuela, que as empresas petrolÃferas americanas vão tomar conta do setor petrolÃfero venezuelano. Aà sim, já estamos perante não apenas a extração de um dirigente polÃtico, estamos perante uma invasão da Venezuela e isso é totalmente inaceitável”, concluiu.
Os Estados Unidos lançaram hoje “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, para capturar e julgar o lÃder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o paÃs até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir o paÃs após a queda de Maduro, e admitiu uma segunda ofensiva contra o paÃs se for necessário.
O Governo venezuelano denunciou a “gravÃssima agressão militar” dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.
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