
Toronto, 22 mai 2026 (Lusa) — O governo da provÃncia canadiana de Alberta anunciou na quinta-feira que vai realizar uma consulta para um possÃvel referendo vinculativo sobre a separação do Canadá.
O anúncio foi feito pela chefe do governo de Alberta, a conservadora populista Danielle Smith, num discurso televisivo em que afirmou que os cidadãos terão de escolher entre permanecer como provÃncia do paÃs ou iniciar o processo legal exigido para “realizar um referendo provincial vinculativo sobre se Alberta deve separar-se do Canadá”.
Smith, que desde que chegou ao poder em 2022 tem centrado as suas polÃticas no confronto com o Governo federal, reiterou várias vezes que votará a favor da permanência no Canadá, por considerar que “o Canadá ainda pode funcionar”.
No entanto, justificou a consulta afirmando que centenas de milhares de habitantes de Alberta querem pronunciar-se sobre a questão.
O anúncio surge depois de em 13 de maio um tribunal canadiano ter anulado uma petição popular para convocar consultas populares que reuniram cerca de 300 mil assinaturas, alegando que o processo não respeitou os direitos dos povos indÃgenas do território.
A primeira-ministra provincial, que tinha facilitado a iniciativa popular ao reduzir o número de assinaturas necessárias para forçar a convocação de um referendo, criticou a decisão judicial como antidemocrática e disse que Alberta iria recorrer.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que ainda não se pronunciou sobre a decisão de Alberta, declarou em 14 de maio que os separatistas devem respeitar os direitos indÃgenas e cumprir a legislação canadiana, incluindo o Clarity Act. Esta lei, aprovada após os dois referendos separatistas no Quebeque, estipula que o Parlamento canadiano tem de aprovar a pergunta de qualquer referendo e decidir se o resultado da votação é suficiente para iniciar um processo de negociação, que deve ser ratificado pelas restantes provÃncias.
Segundo o governo provincial, a consulta anunciada por Smith não implicaria automaticamente a independência de Alberta: uma vitória da opção soberanista apenas desencadearia o processo para organizar um segundo referendo, esse sim vinculativo, sobre a separação.
O anúncio ocorre num contexto de crescente tensão entre Alberta e Otava em torno de questões energéticas e regulatórias.
Smith acusou o Governo federal de tentar centralizar poderes e defendeu que Alberta tem sido prejudicada durante anos por polÃticas contrárias ao desenvolvimento petrolÃfero.
A oposição e vários dirigentes polÃticos reagiram de imediato. O lÃder conservador federal, Pierre Poilievre, afirmou que fará campanha para que Alberta permaneça dentro da “famÃlia canadiana”.
Por seu lado, organizações indÃgenas denunciaram que qualquer tentativa de separação violaria os tratados históricos assinados com a Coroa britânica e protegidos pela Constituição canadiana.
O referendo de outubro incluirá ainda outras nove perguntas relacionadas com imigração e assuntos constitucionais.
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