
Maputo, 18 fev 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano estima que a vandalização e destruição nos cinco meses de protestos e violência pós-eleitoral destruÃram 50 mil postos de trabalho e de mais de 2.000 espaços públicos e privados.
“As manifestações resultantes da tensão pós-eleitoral deixaram, também, marcas profundas no tecido económico e social do paÃs devido aos atos de vandalização e destruição que resultaram em danos avultados”, lê-se no relatório da execução orçamental de 2025, a que a Lusa teve hoje acesso.
O documento, do Ministério das Finanças, destaca que 1.733 estabelecimentos comerciais foram destruÃdos na sequência dos protestos que se seguiram, durante cinco meses, à s eleições gerais de 09 de outubro de 2024.
Aponta ainda para “339 edifÃcios públicos destruÃdos e centenas de infraestruturas crÃticas vandalizadas, incluindo 176 postes de energia, 59 torres de telecomunicações, 25 bombas de combustÃvel, 16 portagens”, além de ambulâncias, viaturas públicas e privadas, “cuja consequência, entre outras, foi a perda de mais de 50 mil postos de trabalho”.
Um relatório da Ordem dos Advogados de Moçambique divulgado em janeiro sobre as eleições gerais de 2024, que degeneraram em meses de violência, identificou “várias irregularidades”, como “manipulação” dos resultados, que comprometeram a realização de eleições “verdadeiramente livres e justas”.
O relatório da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique (CDH-OAM) conclui “que o ambiente polÃtico e as irregularidades observadas comprometeram a realização de eleições verdadeiramente livres e justas em Moçambique”.
“Foram identificadas várias irregularidades, como inflação de dados de eleitores, manipulação e enchimento de cadernos eleitorais, uso abusivo de recursos do Estado, violência e intimidação”, lê-se.
O texto acrescenta que as eleições gerais de 09 de outubro de 2024 “ocorreram num ambiente de crescente autoritarismo e impunidade, marcado por manipulação eleitoral, repressão da oposição e desconfiança no sistema democrático”.
“Após as eleições, surgiram alegações de fraude eleitoral, manifestações e repressão violenta dos manifestantes, jornalistas e membros da oposição”, recorda ainda o documento.
Na contestação aos resultados – que voltaram a dar a maioria à Frelimo, no poder desde 1975, e ao seu candidato presidencial, Daniel Chapo – morreram mais de 400 pessoas, em protestos, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados. A violência só terminou em março passado, após um encontro entre o chefe de Estado e o polÃtico Venâncio Mondlane.
As principais irregularidades identificadas no relatório da Ordem incluem inflação de dados de eleitores, “atrasos e interferências” no processo de recenseamento, “cobranças ilÃcitas” e “manipulação e enchimento de cadernos eleitorais”.
Igualmente “uso abusivo de recursos do Estado”, “paralisação” de serviços públicos”, “contribuições financeiras forçadas” e “violência e intimidação”, bem como a “falta de transparência na contagem de votos, restrição do acesso à internet e à s redes sociais, repressão e violência pós-eleitoral”.
“Essas irregularidades comprometeram a transparência e a credibilidade do processo eleitoral, evidenciando a necessidade de reformas para garantir eleições livres e justas em Moçambique”, destacam os autores do relatório.
PVJ // SB
Lusa/Fim



