
Teerão, 23 fev 2026 (Lusa) — Protestos estudantis eclodiram hoje em nove universidades iranianas, com os manifestantes a queimarem bandeiras do país e a apelarem à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
As principais mobilizações ocorreram em Teerão, onde centenas de estudantes protestaram contra o Governo em pelo menos sete centros de estudos, queimando a bandeira da República Islâmica, um gesto incomum partilhado nas redes sociais por organizações não-governamentais (ONG) e meios de comunicação da oposição.
A queima de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel é típica das mobilizações estatais iranianas e agora os estudantes universitários estão a protestar da mesma forma, mas em contestação ao regime, queimando a bandeira do país persa.
No sábado e no domingo eclodiram protestos nas universidades de Amir Kabir, Sharif e Teerão, e hoje juntaram-se também as universidades de Ciência e Tecnologia, a feminina de Alzahra, Jaye Nasir e a de Ciência e Cultura, todas na capital.
Também registaram-se protestos na Universidade Ferdosi de Mashad (nordeste) e na Universidade Tecnológica de Isfahan (centro).
Em todos esses estabelecimentos de ensino foram entoados gritos de ordem como: “Nem Gaza, nem Líbano, a minha vida pelo Irão”, “Lutamos, morremos, recuperaremos o Irão” ou “Yavid Sah” (vida ao xá).
Nas universidades de Teerão, verificaram-se contraprotestos a favor da República Islâmica, nos quais gritaram “Morte a Israel” e “Morte aos Estados Unidos” e queimaram bandeiras desses países.
Na Universidade de Teerão ocorreram confrontos entre o que as ONGs opositoras ao regime classificaram como ‘basijis’ — milicianos islâmicos — e estudantes, sem que houvesse relatos de feridos.
Este é o terceiro dia consecutivo de protestos em centros universitários desde que o ano letivo foi retomado há três dias e um mês e meio após a repressão dos protestos que abalaram o país em janeiro.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando comerciantes saíram às ruas devido à desvalorização do rial, mas foram crescendo até se tornarem num movimento cidadão que exigia o fim da República Islâmica e que foi brutalmente reprimido nos dias 08 e 09 de janeiro.
O Governo iraniano reconhece oficialmente 3.117 mortos, enquanto organizações opositoras como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, estimam que 7.015 pessoas morreram, embora continuem a verificar mais de 11.700 possíveis mortes e estimem que cerca de 53.000 pessoas foram detidas.
No plano diplomático o Irão e os Estados Unidos realizaram a 17 deste mês, na Suíça, uma segunda sessão de negociações indiretas, através de mediação de Omã, num contexto de tensões acrescidas na região, para onde Washington enviou dois porta-aviões.
Novas conversações, confirmadas pelo Irão e por Omã, mas não pelos Estados Unidos até ao momento, estão previstas para quinta-feira.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos estão representados pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, indicou na quinta-feira ter fixado um prazo de “10 a 15 dias” para decidir se recorre ou não à força contra Teerão.
Apesar do novo aviso, Araghchi considerou no domingo que existem “boas hipóteses de alcançar uma solução diplomática em moldes mutuamente vantajosos”.
No centro das divergências está o programa nuclear iraniano, que os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam de estar a ser utilizado para produzir armas nucleares.
O Irão nega essa intenção e defende que o seu enriquecimento de urânio é para uso civil.
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