
Teerão, 21 set 2022 (Lusa) – As manifestações no Irão prolongaram-se pela quinta noite consecutiva demonstrando indignação pela morte de uma jovem após ter sido presa sob acusação de falta de cumprimento das regras de vestuário para as mulheres.Â
Os manifestantes revoltados pela morte de Mahsa Amini mantiveram-se nas ruas em mais de quinze cidades do Irão bloqueando a circulação rodoviária, tendo-se registado em alguns pontos do paÃs ataques contra veÃculos da polÃcia.
De acordo com as forças de segurança, carros da polÃcia foram incendiados na última noite e foram lançadas pedras contra os agentes.Â
Os elementos da polÃcia usaram granadas de gás lacrimogéneo para dispersar as multidões, tendo sido efetuadas “várias detenções”, noticiou a agência de notÃcias oficial IRNA.
Homens e mulheres manifestaram indignação nas manifestações que se mantêm nas ruas de cidades como Teerão, Mashhad (nordeste), Tabriz (noroeste), Rasht (norte), Ispahan (centro) e Kish, no sul do Irão.
O governador da provÃncia do Curdistão iraniano, Ismail Zarei Koosha, disse na terça-feira que três pessoas morreram durante as manifestações.Â
Mahsa Amini, 22 anos, natural do Curdistão (noroeste) foi presa no passado dia 13 de setembro em Teerão, onde se encontrava de visita a familiares.
Amini foi presa porque “usava roupas não apropriadas” tendo sido acusada de falta de cumprimento por uma unidade especial da polÃcia que faz respeitar o código de vestuário das mulheres na República Islâmica do Irão.Â
No Irão, as mulheres têm de tapar os cabelos quando se encontram em público.
A polÃcia proÃbe o uso de saias curtas, calças justas, jeans ou roupa de cores vivas, entre outras restrições. Â
Masha Amini “entrou em coma” após ter sido presa e acabou por morrer no dia 16 de setembro num hospital da capital, disseram familiares à televisão estatal.Â
A morte da jovem provocou de imediato manifestações no Irão assim como o protesto polÃtico internacional contra Teerão.Â
Organizações como as Nações Unidas ou paÃses como os Estados Unidos e a França já demonstraram preocupação sobre o “caso Amini” assim como pela forma violenta como as autoridades estão a tratar os manifestantes.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano condenou os protestos, classificando-os como “posições intervencionistas estrangeiras”.Â
“É lamentável que alguns paÃses estejam a aproveitar um incidente para se colocarem contra o governo e o povo iranianos”, disse ainda o porta-voz da diplomacia de Teerão.Â
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PSP // JPS
Lusa/fim
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