
DÃli, 10 out 2025 (Lusa) — O ministro do Petróleo timorense, Francisco da Costa Monteiro, afirmou que Timor-Leste poderá obter um retorno de 52 mil milhões de dólares (cerca de 44,6 mil milhões de euros) até 2056 com o projeto Tasi Mane.
“A mensagem que trago pode ser um pouco complexa, mas é esta: se implementarmos totalmente o projeto Tasi Mane, poderemos alcançar um retorno de 52 mil milhões de dólares até ao ano de 2056”, afirmou Francisco da Costa Monteiro.
O ministro falava quinta-feira durante um seminário nacional sobre os desafios e a sustentabilidade do fundo petrolÃfero e alternativas para o Estado após o fim do Bayu-Undan, subordinado ao tema: “PolÃtica, Estratégia e Opções do IX Governo Constitucional no Setor do Petróleo e Recursos Minerais”.
O Tasi Mane é um projeto que prevê a construção de infraestruturas para desenvolver a indústria petrolÃfera e que inclui uma base logÃstica, uma refinaria e uma planta de gás natural liquefeito, a serem desenvolvidos na costa sul.
“Os estudos são positivos e indicam que é possÃvel atrair investidores para Timor-Leste, que é viável construir uma planta de Gás Natural Liquefeito no paÃs e que a refinaria é tecnicamente exequÃvel segundo os estudos de viabilidade realizados”, declarou o ministro.
O Governo já iniciou o processo de consulta pública (socialização) para explicar à população os impactos e benefÃcios do projeto, e já foram desenvolvidos estudos de viabilidade sobre os impactos ambientais, com o objetivo de minimizar os efeitos negativos no ambiente e nas comunidades.
“Já investimos no aeroporto de Suai, já iniciámos algumas obras em Suai, estamos a investir na base de logÃstica, na autoestrada, e também nos estudos que estão atualmente a decorrer em Natarbora e outras zonas”, afirmou.
Monteiro salientou que o campo de Bayu-Undan já deixou de produzir, o que poderá levar à redução das receitas do Fundo PetrolÃfero de Timor-Leste. No entanto, sublinhou que isso não significa que o paÃs esteja em falência.
Em 07 de março de 2025, o Conselho de Ministros autorizou o Ministério do Petróleo e Recursos Minerais (MPRM) a realizar despesas relacionadas com o programa de implementação do Projeto Tasi Mane na costa sul do paÃs, no montante de 40 milhões de dólares (cerca de 34,35 milhões de euros).
No seminário estiveram presentes estudantes universitários, representantes da sociedade civil e entidades como a Autoridade Nacional do Petróleo (ANP).
Para desenvolver o projeto Tasi Mane, as autoridades timorenses estão empenhadas em encontrar uma solução que permita o desenvolvimento do campo Greater Sunrise com ligação direta a Timor-Leste.
Localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o projeto Greater Sunrise tem estado envolto num impasse, com DÃli a defender a construção de um gasoduto para o sul do paÃs e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.
O consórcio é constituÃdo pela timorense Timor Gap (56,56%), a operadora Woodside Energy (33,44%) e a Osaca Gás Australia (10,00%).
Um estudo conceptual mandado elaborado pela empresa britânica Wood confirmou a viabilidade do projeto em Timor-Leste, mas ainda não foi anunciada uma decisão oficial em relação ao seu desenvolvimento.
O acordo de fronteira marÃtima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o paÃs, ou 80% se o processamento for em Darwin.
A ligação do gasoduto ao sul de Timor-Leste é considerada, pelas autoridades timorenses, como estratégica para o crescimento económico do paÃs.
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