
Lisboa, 09 fev 2026 (Lusa) – Mais de metade das mulheres presas em Portugal apresentam sintomas de ansiedade, depressão ou stress pós-traumático e cerca de oito em cada dez são mães, segundo dados do projeto ‘Women Behind Bars’ avançados hoje à Lusa.
De acordo com os resultados preliminares do projeto desenvolvido pelo Ispa – Instituto Universitário, que utilizou uma amostra de 458 reclusas de um universo de 834 (dados de maio de 2025), 77,5% destas mulheres são mães e mais de 63% já eram cuidadoras primárias antes de terem sido condenadas a uma pena de prisão.
A saúde mental das mulheres também foi avaliada, tendo os resultados indicado que foram encontrados níveis moderados ou severos de ansiedade e depressão e de perturbação de stress pós-traumático em mais de metade da população prisional utilizada na amostra.
Outro dado que resultou do projeto “Women Behind Bars — Female Portuguese Inmates’ Characterization and Gender-Specific Needs Assessment”, cujos resultados preliminares serão apresentados na quarta-feira e quinta-feira, está relacionado com a distância entre as cadeias e a zona de residências das reclusas: quase 59% das mulheres estão a cumprir pena a mais de 50 quilómetros de sua casa.
Esta distância, segundo a investigação financiada pela Fundação La Caixa, “contribui para o afastamento familiar, a redução do número de visitas e o agravamento do isolamento social”.
Segundo a investigadora responsável por coordenar este projeto, Andreia de Castro Rodrigues, “os estudos internacionais mostram que as mulheres que cometem crimes apresentam experiências pré, durante e pós-reclusão substancialmente diferentes das dos homens, o que torna essencial uma análise específica deste grupo”.
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