
Marinha Grande, Leiria, 24 mar 2022 (Lusa) — O projeto “Renature Leiria”, do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), vai plantar 650 mil árvores até 2025 na Mata Nacional de Leiria, onde os incêndios destruÃram 86% da sua área, foi hoje anunciado.
“Vamos intervir à volta dos 700 hectares e iremos plantar cerca de 650 mil árvores”, afirmou à agência Lusa Miguel Jerónimo, membro da comissão executiva do GEOTA e coordenador deste projeto e do “Renature Monchique”, no Algarve, este iniciado em 2019 na sequência dos incêndios no ano anterior.
Segundo Miguel Jerónimo, os trabalhos no terreno na Mata Nacional de Leiria iniciaram-se em janeiro, sendo que no sábado é o lançamento simbólico da iniciativa de reflorestação, com a presença de cerca de 20 pessoas, que “irá coincidir com o fim da primeira época de plantação”.
O projeto decorre desde este ano até abril de 2025, adiantou, explicando que há objetivos anuais.
“Este ano, como era o arranque e como temos menos tempo, as árvores plantadas foram 50 mil. (…) A partir de outubro, e sempre numa lógica de outubro a março, até ao ano de 2025, estaremos a plantar cerca de 200 mil árvores a cada ano, fazendo depois o objetivo final das 650 mil, a atingir em abril de 2025”, disse.
O coordenador explicou que os trabalhos são executados por uma equipa profissional, numa ação em parceria com a associação norte-americana One Tree Planted e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
“No âmbito destes projetos, plantamos só floresta autóctone. Portanto, isso é uma das condições que nós estabelecemos no projeto, quer em Monchique, quer em Leiria”, assegurou o membro desta organização não-governamental de ambiente, salientando que “todas as plantações são adaptadas à s condições biofÃsicas do local”.
Miguel Jerónimo explicou que no caso da Mata Nacional de Leiria, também conhecida como Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei, trata-se de “um ambiente dunar”.
“A árvore mais comum que iremos plantar será o pinheiro-bravo, mas vamos introduzir algum ‘mix’, aquilo que também já está previsto agora no novo Plano de Gestão da Mata Nacional de Leiria”, como o pinheiro-manso, o medronheiro ou o sobreiro, referiu.
De acordo com o coordenador, “além do impacto ecológico que este projeto possa ter”, o GEOTA tenta “sempre adquirir todos os materiais localmente, contactar as pessoas localmente”, para que o impacto “também seja social e económico”.
O coordenador destacou ainda o papel da Mata Nacional de Leiria na História de Portugal, frisando ser “uma importante área de conservação para a biodiversidade, de lazer, de usufruto, de produção florestal”.
“O que queremos fazer (…) é contribuir para a recuperação desta área tão emblemática e, obviamente, potenciar tudo aquilo que são os serviços dos ecossistemas que esta área é responsável por produzir”, declarou, realçando que “são importantÃssimas na mitigação das alterações climáticas”.
A este propósito esclareceu que se está a falar “de uma zona que é adjacente ao oceano e, portanto, tem aqui uma data de funções de proteção muito importantes”.
Miguel Jerónimo acrescentou que o objetivo é “multiplicar estas metodologias, encontrar mais financiadores”, esperando que “o Governo um dia possa olhar para estes projetos e também querer financiar, porque até agora estes dois projetos” que anualmente “totalizam um investimento de meio milhão [de euros] em floresta autóctone são 100% financiamentos privados”.
A Mata Nacional de Leiria, que ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, tem 11.021 hectares. Nos incêndios de outubro de 2017, 86% da sua área ardeu, de acordo com o ‘site’ https://mnleiria.icnf.pt/. Já a tempestade Leslie, um ano depois, afetou 1.137 hectares desta mata.
O Pinhal de Leiria é propriedade do Estado. De acordo com informação do mesmo ‘site’, “a origem deste pinhal remonta a datas anteriores ao reinado de D. Dinis (1279-1325), mas foi com este monarca que foram feitas as grandes sementeiras com pinheiro-bravo, que o considerou como Mata da Coroa, estabelecendo as primeiras regras com vista à sua administração, dando-lhe, para este efeito, um primeiro regimento”.
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