
Nações Unidas, Nova Iorque, 22 set 2025 (Lusa) — As negociações com o Irão sobre o programa nuclear atravessam “um momento bastante difÃcil”, reconheceu hoje o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, sem excluir uma solução diplomática até ao fim da semana.
“É, evidentemente, um momento bastante difÃcil”, afirmou Grossi numa entrevista à agência noticiosa France-Presse (AFP), em Nova Iorque, onde na terça-feira começa a Assembleia Geral da ONU, lembrando que Teerão ameaça suspender a cooperação com a agência das Nações Unidas caso as sanções europeias sejam restabelecidas no domingo.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deu na sexta-feira ‘luz verde’ ao regresso das sanções levantadas após a assinatura do acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano.
O Irão tem até sábado à meia-noite para chegar a consenso com o grupo E3 — Alemanha, França e Reino Unido — sobre as condições para prolongar a suspensão das sanções.
“O importante é que as comunicações continuem”, disse o responsável da AIEA, que tem previsto reunir-se ainda hoje com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, admitindo novas reuniões “ao longo da semana”.
Grossi referiu ainda encontros com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e destacou o envolvimento do emissário norte-americano, Steve Witkoff, “que explora diferentes canais de comunicação”.
“O Presidente Macron está muito presente, como tem estado historicamente”, afirmou, elogiando também os esforços da Alemanha e do Reino Unido e sublinhando ser “essencial” ouvir todas as partes, incluindo os Estados Unidos, que abandonaram o acordo de 2015.
“A AIEA não é parte no acordo, mas é indispensável em qualquer cenário. Continuamos, por isso, a trabalhar com o embaixador Witkoff”, explicou.
Na semana passada, o grupo E3 considerou que o Irão não cumpre as condições para manter a suspensão das sanções, abrindo caminho à sua reimposição.Â
Paris, Londres e Berlim exigem, em particular, que Teerão conceda acesso total aos inspetores da AIEA às infraestruturas, incluindo as atingidas por ataques israelitas e norte-americanos em junho, e que retome as conversações, nomeadamente com a parte norte-americana.
O Irão denuncia pressões polÃticas e acusa os europeus de rejeitarem uma proposta “equilibrada”, cujos pormenores não foram revelados.
“Não estou nem otimista nem pessimista quanto ao desfecho desta semana”, disse Grossi, notando, contudo, que o facto de os canais de comunicação não estarem rompidos permite esperar uma solução diplomática, enquanto se trabalha na possibilidade de um acordo provisório que dê mais tempo à s negociações.
“Não se pode excluir que ainda possamos encontrar um acordo”, afirmou, frisando ser necessário “navegar com prudência” e evitar considerações polÃticas para impedir uma saÃda do Irão do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Â
JSD //Â JH
Lusa/Fim



