
Maputo, 16 out 2026 (Lusa) – Mais de 4,8 milhões de moçambicanos beneficiaram de soluções de energia limpa através do Programa BRILHO, implementado ao longo dos últimos sete anos para expandir o acesso à energia fora da rede elétrica nacional, foi hoje anunciado.
“Moçambicanos passaram a beneficiar de um melhor acesso à energia limpa. Até junho de 2026, mais de 491 mil famílias e quase 62 mil empresas tinham sido apoiadas com sistemas solares elétricos, mini-redes, fogões melhorados e equipamentos para uso produtivo de energia”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, no encerramento da iniciativa, em Maputo.
Segundo o governante, o programa, financiado pela Suécia e o Reino Unido e implementado pela SNV, organização dos Países Baixos, permitiu apoiar a instalação de mais de 950 mil tecnologias de baixo carbono e contribuiu para a criação de mais de 2.600 empregos equivalentes a tempo inteiro.
“Quase 400 mil mulheres beneficiaram através do emprego ou aumento dos seus rendimentos, enquanto mais de 43 mil mulheres acederam a serviços financeiros”, disse.
O ministro acrescentou que a iniciativa contribuiu igualmente para evitar ou reduzir mais de 1,6 milhões de toneladas de emissões de gases com efeito de estufa e mobilizou mais de 59 milhões de libras esterlinas (69,8 milhões de euros) de financiamento privado associado à ação climática.
Para Estevão Pale, os resultados alcançados demonstram que a expansão do acesso à energia exige uma forte articulação entre o Estado, os parceiros de cooperação e o setor privado.
“O BRILHO demonstrou que, com políticas adequadas, regras claras, instituições capacitadas e mecanismos eficazes de mitigação do risco, é possível atrair investimento privado e expandir o acesso à energia, inclusive nas comunidades mais remotas do nosso país”, afirmou, destacando ainda apoiou o desenvolvimento do quadro regulatório para a energia fora da rede através da iniciativa.
Por sua vez, o representante da SNV, Martijn Veen, considerou que a iniciativa ajudou a transformar o setor energético nacional.
Segundo o responsável, quando os trabalhos começaram, em 2019, o mercado de energia fora da rede era reduzido e operava com investimentos limitados, realidade que mudou significativamente ao longo dos últimos sete anos.
“Este programa, financiado pelo Reino Unido e pela Suécia, trabalhando em proximidade com o Governo de Moçambique, levou energia a mais de 4,8 milhões de pessoas”, destacou.
Martijn Veen considerou que o principal legado do BRILHO está na criação de um mercado energético capaz de continuar a crescer para além do encerramento do programa: “Hoje marca um dia muito importante. O programa está a chegar ao fim. Mas hoje é sobre o setor”.
O embaixador da Suécia em Moçambique, Andrés Jato, disse que os resultados alcançados demonstram o impacto da cooperação internacional no desenvolvimento económico e social.
“São vidas reais impactadas. Uma criança que pode estudar depois de anoitecer, uma mãe que cozinha com menos fumo e gasta menos carvão, uma pequena loja que fica aberta até mais tarde”, afirmou, assinalando que o programa ajudou ainda a criar condições para o crescimento sustentável do mercado de energia fora da rede.
Já a alta-comissária britânica em Moçambique, Helen Lewis, assinalou que os fogões melhorados apoiados pelo programa permitiram a muitas famílias reduzir “em cerca de dois terços as despesas com energia para cozinhar”, enquanto o setor agrícola beneficiou da utilização de bombas de água e sistemas de refrigeração alimentados por energia solar.
Para a diplomata britânica, o programa deixa um legado que vai além dos números: “Hoje, existe um ecossistema mais forte, com empresas mais capacitadas, consumidores mais informados, melhores dados e instituições mais preparadas”.
O balanço do programa indica ainda a implementação de cerca de 66 mil soluções de uso produtivo de energia no país.
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