Profissionais de saúde moçambicanos mantêm greve e exigem demissão de ministro

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Maputo, 18 mai 2026 (Lusa) — Os profissionais de saúde moçambicanos, em greve desde janeiro, anunciaram hoje a continuação da paralisação e exigiram a demissão do ministro da Saúde, voltando a responsabilizar o Governo pela má gestão hospitalar e falta de medicamentos nas unidades.

Em conferência de imprensa, em Maputo, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, declarou que perante a situação atual, e sem desenvolvimentos das negociações com o Governo, foi decidida a “a continuação da greve nacional da saúde”.

“Até que haja assinatura de acordo vinculativo com prazo, orçamento e mecanismo de monitorias independentes”, acrescentou.

Desde 16 de janeiro que a APSUSM tem convocado paralisações de 30 dias, sucessivamente renovados, mas cujos efeitos não são claros, com o Governo a garantir desconhecer o impacto da greve nas unidades sanitárias.

Segundo Anselmo Muchave, a paralisação mantém-se devido à persistente escassez de medicamentos, luvas, soros, anestésicos e outros materiais médico-cirúrgicos considerados essenciais para o funcionamento das unidades sanitárias públicas.

A APSUSM acusou igualmente o executivo de conduzir um “diálogo sem resultados”, alegando que as reuniões realizadas até agora decorrem sem interlocutores com capacidade de decisão e sem compromissos formalizados.

“O Governo insiste em nos chamar para um diálogo sério, mas colocou pessoas sem mandato, sem conhecimento técnico e sem poder de decisão, pessoas que não sabem qual é a missão do Ministério da Saúde e que usam reuniões para ganhar tempo e para passear nas unidades sanitárias (…). Isso não é dialogar, é encenação. É queima de tempo enquanto os doentes morrem”, afirmou Anselmo Muchave.

O responsável denunciou ainda alegadas irregularidades nos armazéns centrais de medicamentos, apontando problemas de conservação, infiltrações e presença de roedores e aves em espaços destinados ao armazenamento de fármacos.

“Encontramos armazéns com infiltrações, falta de controlo de pragas e higiene. Pombos e roedores circulam nos armazéns, o que significa, na prática, medicamentos contaminados que depois vão para a boca de um paciente doente”, acrescentou.

Segundo Anselmo Muchave, a associação vai avançar com uma mobilização nacional dos profissionais de saúde e da sociedade civil para exigir “a demissão imediata” do ministro da Saúde, Ussene Isse, acusando o executivo de incapacidade para responder à crise no setor.

A APSUSM anunciou também a submissão de denúncias formais ao Provedor de Justiça, ao parlamento e a parceiros internacionais, alegando violações do direito à saúde, má gestão de fundos públicos e condições inseguras nos armazéns centrais de medicamentos.

“O Governo moçambicano que tenha vergonha. Não se mata um país por incompetências. As coisas que estão a matar o povo são visíveis e resolvíveis sem barulho”, declarou o dirigente associativo, alegando que desde janeiro deste ano “houve 2.673 mortes evitáveis por doenças”.

As declarações surgem numa altura em que os profissionais de saúde reivindicam melhores condições de trabalho, pagamento de subsídios, progressões nas carreiras e fornecimento regular de material médico-cirúrgico nas unidades sanitárias públicas.

Em maio, a APSUSM anunciou avanços nas negociações com o Governo, incluindo a criação de uma equipa conjunta de monitorização das necessidades das unidades sanitárias, após vários meses de paralisação nacional.

Antes, em 20 de abril, os profissionais de saúde exigiram propostas escritas do Governo com datas para pagamento de subsídios e entrega de medicamentos e equipamentos.

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