
Porto, 09 ago (Lusa) – Dezenas de cooperativas e associações ligadas ao setor do leite manifestam-se hoje, no Porto, em frente à Lactogal para exigir uma nova liderança na empresa, aumento do preço do leite e a redução dos salários “milionários” dos administradores.
Em comunicado, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) aponta que “centenas de produtores de leite representados por dezenas de cooperativas e associações, decidiram manifestar a sua revolta e indignação frente à sede da Lactogal, face a mais uma descida do preço do leite ao produtor, poucos dias depois de ter sido também anunciada uma redução do leite recolhido, redução que devia servir para evitar a descida do preço”.
“Podemos concluir que a Lactogal pretende pagar esta redução da produção com o dinheiro que tira aos produtores que, com esforço e sacrifÃcio, desejam continuar a produzir e alimentar Portugal com o bom leite português”, lê-se no comunicado.
A Aprolep descreve que a Lactogal teve na sua origem três cooperativas que são ainda detentoras da totalidade do seu capital social e que uniram a sua capacidade industrial e comercial para, em conjunto, ombrear com as demais concorrentes no setor leiteiro.
A associação considera que “era suposto que dessa união, alicerçada no setor cooperativo e nos seus produtores, houvesse a capacidade de garantir o escoamento da produção recolhida pelas organizações fundadoras e se valorizasse o preço do leite pago ao produtor”.
Mas, segundo continua a descrever a Aprolep, “ao longo dos últimos anos, os administradores executivos da Lactogal adotaram o discurso de que a empresa está a atravessar uma grande crise e impuseram sucessivas descidas no preço do leite”.
“Acontece que os números não correspondem ao discurso demagogo desses executivos e, ano após ano, os lucros da Lactogal têm sido à s dezenas de milhões, cerca de 44 milhões de euros no ano de 2017, que poderiam pagar mais quatro cêntimos por litro de leite se fossem encaminhados de forma justa para o produtor”, refere o comunicado sobre as razões da manifestação marcada para as 14:00 horas.
Desta forma, os produtores de leite falam em “ausência atual de estratégia e liderança da Lactogal” e desafiam as cooperativas fundadoras a “sentar-se à mesa e repensar o futuro da empresa”.
Também é exigido que o atual presidente do conselho de administração da Lactogal apresente demissão.
“Exigimos uma nova liderança da empresa, uma estratégia de cooperação, crescimento e inovação, o aumento urgente do preço do leite ao produtor e a redução dos salários milionários dos administradores”, sintetiza a nota da Aprolep.
Na terça-feira, dia em que foi anunciada esta manifestação, a agência Lusa falou com o presidente da Aprolep, Jorge Oliveira, que confirmou como motivos para a iniciativa desta tarde o pedido de demissão da atual direção da Lactogal: “Já não têm capacidade. Foram bons no seu tempo e agora já não estão capazes de lidar com os desafios atuais”, disse o dirigente.
Confrontada com estas afirmações, a Lactogal referiu, em resposta escrita enviada à Lusa, que “o preço quepaga pelo leite é superior ao que paga o mercado em Portugal e em Espanha, sendo, durante o corrente ano, superior em 7% face ao perÃodo homólogo do ano passado”.
A Lactogal explicou ainda que “paga o leite diretamente aos seus fornecedores cooperativas e uniões de cooperativas, não lhe competindo definir os preços que estas entidades decidem pagar aos produtores” e descreveu que “por força do seu pacto social, absorve todo o leite que as estruturas cooperativas que participam nos órgãos sociais da empresa e do grupo lhe entregam”.
“Os tempos estão particularmente desafiadores para o setor lácteo”, disse ainda a empresa, mencionando que “no ano de 2017 as estatÃsticas divulgadas relativas à s entregas de leite de vaca efetuadas à indústria para transformação apontavam para um crescimento na União Europeia de cerca de 1%”, mas que “em Portugal o acréscimo foi de 0,1%”
“A verdade é que, apesar de se conhecerem as condicionantes do mercado desde 2015, a oferta de leite não parou de aumentar e o mercado mundial lácteo está saturado”, lamentou a empresa.
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