Produção de grafite em mina moçambicana quase triplicou em três meses

Maputo, 29 out 2026 (Lusa) — A australiana Syrah quase triplicou a produção de grafite na mina moçambicana de Balama no terceiro trimestre, para 19 mil toneladas, prevendo ainda este ano as primeiras vendas de material para baterias de carros elétricos nos Estados Unidos.

Segundo o relatório trimestral de atividades divulgado hoje pela empresa, a produção de grafite natural em Balama, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, aumentou face às 6.600 toneladas entre abril e junho, enquanto as vendas atingiram 18.000 toneladas, mais do dobro das 8.000 toneladas registadas no trimestre anterior.

A empresa descreveu o período como de “forte desempenho operacional”, destacando uma taxa de recuperação de 88% e um teor médio de carbono de 95% no concentrado produzido.

A Syrah indicou ainda que o preço médio das vendas de grafite foi de 583 dólares (510 euros) por tonelada, enquanto o custo operacional unitário se situou em 581 dólares (508 euros) por tonelada.

Apesar da recuperação operacional, a empresa assinala que o mercado internacional continua condicionado pelo excesso de oferta proveniente da China, pressionando os preços e a procura fora daquele país.

“O apoio político continua a ser crucial para o desenvolvimento e diversificação das cadeias de abastecimento de grafite natural e materiais anódicos fora da China”, sustenta o grupo, acrescentando que os clientes continuam focados na “segurança do abastecimento, sustentabilidade e cadeias de fornecimento resilientes”.

No mesmo relatório, a empresa destaca progressos na unidade de materiais anódicos de Vidalia, no estado norte-americano de Louisiana, que utiliza grafite extraído em Moçambique para produzir componentes destinados às baterias de veículos elétricos.

“O aumento gradual da produção comercial em Vidalia continua e as primeiras vendas comerciais são esperadas após a conclusão dos processos de qualificação dos clientes, prevista para o quarto trimestre de 2026”, refere o documento.

A Syrah considera que o arranque das vendas comerciais em Vidalia será um passo determinante para assegurar novos contratos e apoiar a expansão futura da unidade industrial.

A posição de caixa da empresa ascendia a 76 milhões de dólares (cerca de 66 milhões de euros) no final de setembro, incluindo fundos sujeitos a restrições associadas a financiamentos da International Development Finance Corporation (DFC) e do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Durante o trimestre, a companhia recebeu igualmente um desembolso adicional de 15 milhões de dólares (13 milhões de euros) da DFC.

A empresa reiterou ainda o objetivo anunciado em maio de aumentar a produção anual da mina de Balama para entre 200 mil e 240 mil toneladas, apontando o crescimento da indústria mundial de baterias como principal motor da procura futura.

Na atualização trimestral, a Syrah voltou a classificar Balama como um ativo estratégico para as cadeias de abastecimento ocidentais, defendendo que se trata da principal operação de grafite natural de elevada qualidade fora da China.

A empresa acrescenta que as suas operações em Moçambique já geraram uma contribuição económica acumulada de 627 milhões de dólares (548 milhões de euros), incluindo 4,4 milhões de dólares (3,8 milhões de euros) investidos em projetos comunitários, mantendo uma taxa de nacionalização da força de trabalho de cerca de 90%.

No primeiro semestre de 2026, a Syrah tinha produzido 25.800 toneladas de grafite em Balama, quase quatro vezes mais do que no mesmo período do ano anterior, e vendido 26.600 toneladas.

PVJ // APL

Lusa/Fim