
Mogadouro, Bragança, 07 abr 2022 (Lusa) — As perdas na produção de amêndoa rondam os 50% devido à vaga de frio que se fez sentir no inÃcio do mês de abril na região transmontana, disse hoje o presidente da Cooperativa dos Lavradores do Centro e Norte.
“Prevemos quebras que rondam os 50% da produção de amêndoa, provocada pela vaga de frio que se fez sentir no inÃcio do mês de abril, quando o amendoal estava numa fase de passagem da floração para o fruto. A gema da amêndoa está queimada e não consegue evoluir, o que faz com haja uma grande perda de produção”, explicou à Lusa o presidente daquela estrutura com sede em Mogadouro, no distrito de Bragança, Armando Pacheco.
Para o responsável da LCN- Cooperativa dos Lavradores do Centro e Norte, estrutura agrÃcola que representa mais de 600 cooperantes de todo o paÃs, a situação “é muito grave” já que a produção de amêndoa “é uma das que mais valorizadas, atualmente, na região transmontana e duriense”.
“O frio que levou à quebra de produção do amendoal, verificada em apenas alguns dias, vai refletir-se nos próximos anos. E isto sem contar com o esforço e os gastos efetuados pelos produtores deste fruto de casca rija”, observou o dirigente cooperativo.
O técnico diz que é nas zonas mais baixas de Trás-os-Montes e Douro, como é caso dos vales dos rios Douro, Sabor, Tua ou Coa, que se registam para já as maiores perdas na produção de amêndoa.
“É nas zonas baixas do território que se verifica o maior número de quebras de produção onde o fruto não recupera. Já nas zonas mais elevadas, sempre houve um maior arejamento das gemas de amêndoa, que não foram tão afetadas, mas mesmo assim verificam-se estragos”, vincou.
Armando Pacheco referiu ainda que a seca é outros dos problemas que afeta o setor agrÃcola e o amendoal não foge à regra, “e os próximos dois anos poderão ser complicados para esta produção porque vai ser difÃcil as árvores responderem a estes agravantes”.
“Temos de ser realistas. Para fazer face a este tipo de prejuÃzos só vejo uma solução: os agricultores têm de apostar no seguro de colheitas. Esta afirmação pode custar a muita gente. Mas é mesmo assim”, frisou o dirigente.
De acordo com Armando Pacheco, é muito difÃcil obter ajudas à produção se não houver seguros agrÃcolas.
“Não há medidas compensatórias que possam ajudar nestas perdas de rendimento agrÃcola provocada pelas geadas ou outras intempéries”, enfatizou Armando Pacheco.
O responsável deixou um alerta aos produtores: “Definitivamente há que fazer uma aposta nos seguros agrÃcolas. Este tipo de mecanismo poderá ser a salvação de muitos prejuÃzos causados pelas intempéries”.
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