
Haia, Países Baixos, 09 fev 2026 (Lusa) — A procuradoria kosovar solicitou hoje 45 anos de prisão para o ex-presidente Hashim Thaçi por crimes de guerra durante o conflito com a Sérvia na década de 1990, na reta final do seu julgamento.
O tribunal acusa Thaçi e outros três arguidos, todos oficiais de alta patente do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), de conduzirem uma “organização criminosa” de assassinatos, tortura, perseguição e detenção ilegal em dezenas de locais no Kosovo e na Albânia.
Todos são acusados de múltiplos crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo homicídio e tortura.
De acordo com a acusação, os membros do ELK cometeram crimes contra centenas de civis e não combatentes — incluindo sérvios, ciganos e albaneses do Kosovo considerados opositores políticos — em campos no Kosovo e no norte da Albânia.
A procuradoria e a defesa deverão apresentar os seus argumentos até 17 de fevereiro, e Thaçi e os seus coarguidos também terão a oportunidade de se pronunciar.
O tribunal — localizado em Haia, mas parte do sistema judicial do Kosovo — terá então um mês para deliberar antes de proferir o seu veredicto.
Este período pode ser alargado para três meses em circunstâncias excecionais.
Vestido com um fato cinzento-escuro, camisa branca e gravata vermelha, Thaçi ouviu impassivelmente a procuradora Kimberly West pedir uma pena de 45 anos de prisão, argumentando que “a gravidade das acusações não diminuiu com o tempo”.
Thaçi, que renunciou imediatamente à Presidência após a sua acusação em 2020, e os outros réus declararam-se inocentes no início do julgamento, há quatro anos. Espera-se que todos façam o mesmo nas suas alegações finais.
No Kosovo, os quatro homens continuam a ser amplamente considerados heróis da luta pela independência. Está prevista uma manifestação de apoio na capital, Pristina, no dia 17 de fevereiro, último dia do julgamento, que coincide com o dia nacional do Kosovo.
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