Procuradores alemães acusam Ucrânia de ordenar sabotagem de gasodutos

Berlim, 02 jul 2026 (Lusa) – Os procuradores alemães acusaram hoje as autoridades ucranianas de ordenar a sabotagem dos gasodutos Nord Stream, um projeto conjunto russo-alemão, logo após a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.

O anúncio aconteceu um dia depois da acusação formal do primeiro suspeito no caso.

O acusado “e outros militares, a pedido das autoridades ucranianas, elaboraram um plano para destruir os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2”, afirmou a acusação, num comunicado, referindo que estes gasodutos submarinos foram sabotados com explosivos em setembro de 2022.

O alvo da acusação foi detido em 21 de agosto de 2025 em Itália e extraditado para a Alemanha em setembro.

Identificado na altura como Serhiy Kuznietsov, afirmou ser, entre a data dos acontecimentos até 2023, um comandante do Exército ucraniano e de ter estado na Ucrânia no momento da sabotagem.

Segundo a acusação, o suspeito e os cúmplices [mergulhadores, um capitão e um especialista em bombas] fretaram um veleiro na Alemanha antes de navegarem até à ilha dinamarquesa de Bornholm. A partir daí, a equipa instalou cargas explosivas que fez detonar para destruir os gasodutos.

“O objetivo era interromper permanentemente o fornecimento de gás através dos gasodutos e garantir que a Rússia não poderia mais utilizar as receitas da venda de gás natural para financiar o esforço de guerra”, afirmou a acusação.

O Nord Stream 2 ainda não estava operacional na altura. O Nord Stream 1 fornecia, antes da invasão russa da Ucrânia, “cerca de metade das necessidades anuais de gás natural da Alemanha”, observou na mesma nota.

Berlim tem sido criticada pelo Nord Stream, inaugurado em 2011, porque os gasodutos aumentaram a dependência energética da Europa em relação a um país hostil.

Depois da invasão, a UE teve de encerrar a maior parte das importações de hidrocarbonetos russos, o que levou a um aumento dos custos energéticos.

A Ucrânia nunca reconheceu a responsabilidade pela sabotagem, mas também não escondeu a satisfação, considerando legítimo qualquer ataque que enfraqueça a capacidade do Kremlin para financiar a guerra.

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