Primeiro-ministro eslovaco pede demissão da chefe da diplomacia da UE

Bratislava, 12 jan 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro da Eslováquia, o populista de esquerda Robert Fico, defendeu hoje a demissão da Alta-Representante da União Europeia (UE) para Assuntos Externos e Política de Segurança, a estónia Kaja Kallas, acusando-a de falta de liderança.

“Temos que mudar a Alta-Representante, a sra. Kallas. É a primeira vez que o digo abertamente. Precisamos de uma liderança forte”, disse, em declarações à TA3, instando Bruxelas a decidir se será “protagonista” ou vai limitar-se “a ver o que dá”.

Fico fez estas afirmações pouco depois de expressar a sua deceção por aquela que considerou ter sido uma reação tímida de Kallas perante a intervenção dos Estados Unidos da América (EUA) na Venezuela, com captura e deposição do presidente bolivariano, Nicolás Maduro.

“A Europa está incapaz de reagir (…) Passam 20 dias para se preparar uma posição sobre o que aconteceu na Venezuela”, continuou o chefe de governo eslovaco, confesso aliado e admirador do homólogo e ultranacionalista húngaro, Viktor Orbán, que é considerado pelos observadores como o membro da UE mais próximo do Kremlin, liderado por Vladimir Putin.

A Eslováquia está desvinculada de uma solução militar para o conflito entre Rússia e Ucrânia, muito menos o envio de soldados nacionais para aquele cenário de guerra, além de se ter colocado de fora do esforço financeiro para emprestar 90 mil milhões de euros ao país invadido pela Federação Russa em 24 de fevereiro de 2022 e que foi aprovado pelo Conselho Europeu.

O país dirigido por Fico, membro da UE e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla inglesa) desde 2004, também desaprova que se recorram aos bens financeiros russos congelados na Bélgica para patrocinar o esforço de guerra ucraniano, a não ser que sejam aplicados para a reconstrução daquele país do extremo-leste continental.

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