
Jerusalém, 09 mai 2021 (Lusa) – O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse hoje que não permitirá protestos violentos em Jerusalém, após duas noites de fortes confrontos entre a polÃcia e manifestantes palestinos na Cidade Santa.
“Aplicaremos a lei e a ordem com firmeza, mas com responsabilidade, e continuaremos a salvaguardar a liberdade de culto para todas as religiões, mas não permitiremos protestos violentos”, disse o chefe do Governo durante a reunião semanal do Gabinete de Ministros, citado pela agência EFE.
As declarações decorrem do contexto de tensão crescente em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel e onde violentos distúrbios nas noites de sexta-feira e de sábado provocaram mais de 300 feridos.
A grande maioria dos feridos são jovens palestinos, que se manifestaram no Portão de Damasco, o principal acesso à Cidade Velha, e na Esplanada das Mesquitas.
A polÃcia israelita usou granadas de choque, balas de borracha e canhões de água para dispersar os manifestantes e, segundo um porta-voz, os agentes responderam a “distúrbios da ordem pública, motins, assaltos e lançamento de pedras e outros objetos contundentes”.
Após os protestos, milÃcias palestinas lançaram na noite passada na Faixa de Gaza um foguete na direção de Israel, que caiu numa área despovoada e que teve como resposta um bombardeamento de retaliação contra alvos do movimento islâmico Hamas, que governa o enclave desde 2007.
Na base dos protestos está um possÃvel despejo de quatro famÃlias palestinas do bairro Seij Yarrah, em Jerusalém Oriental, que gerou forte reação local e internacional e sobre o qual o Supremo Tribunal Israelita deve pronunciar-se na segunda-feira.
A expulsão das famÃlias foi solicitada por organizações de colonos judeus, que reivindicaram a propriedade das casas desde antes de 1948, ao abrigo de uma lei que não se aplica à s propriedades palestinas na zona oeste.
Sem comentar os despejos, Netanyahu reconheceu que há um aumento da “pressão para não construir em Jerusalém”, mas reafirmou que continuarão a fazê-lo, numa provável alusão à construção de moradias para colonos nos territórios ocupados da parte oriental da cidade.
Coincidindo com a decisão do Supremo Tribunal sobre os despejos, está marcada para segunda-feira uma marcha anual de jovens judeus ultranacionalistas pela Cidade Velha, conhecida pela tensão que costuma gerar e comemorada por ocasião do chamado Dia de Jerusalém, em que os israelitas comemoram a reunificação da cidade em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, e que para os palestinos significa o inÃcio da ocupação.
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