
Praia, 30 abr 2024 (Lusa) — Os presidentes de Portugal e Cabo Verde afastaram hoje o espetro das reparações e celebraram uma “relação de excelência”, “sem tabus”, ao discursar num encontro com a comunidade portuguesa, na Praia.
Marcelo Rebelo de Sousa descreveu o acolhimento no arquipélago como algo que “não tem qualificativos. É mais do que uma mera fraternidade, é uma cumplicidade” que responde a “algumas angústias” que possam existir sobre o passado.
“Tenho a sensação de que nos damos melhor do que da última vez. A cooperação é melhor”, assim como “a partilha e a parceria entre os dois paÃses e governos é melhor”, acrescentou, depois de, durante a tarde, referir que as reparações que Portugal deve à s ex-colónias já estarem a ser concretizadas através da cooperação bilateral.
“Até fico preocupado porque, normalmente, quando tudo corre a este nÃvel de excelência, começamos a pensar: o que é que pode correr um bocadinho menos bem? Mas não conseguimos encontrar nada”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.
Durante a receção à comunidade portuguesa na residência do embaixador português em Cabo Verde, Marcelo disse depois ao seu homólogo José Maria Neves que assumisse o papel protocolar habitualmente reservado ao Presidente português e fosse ele o último a discursar.
O chefe de Estado cabo-verdiano aludiu à s questões que lhe têm sido feitas pelos jornalistas sobre as declarações de Marcelo, acerca das reparações, para dizer que “não há temas tabu em democracia”.
“E, entre nós, com a maturidade que já temos, podemos conversar como gente que se entende”, referiu, depois de, durante o dia, ter remetido o tema para um debate com “serenidades”.
“Não haverá nenhuma tempestade no futuro em relação aos debates que nós podemos fazer. Cabo Verde e Portugal entendem-se muito bem. As relações são excelentes, muito maduras. E de todas as nossas discussões podem ainda sair novas luzes para construirmos um novo futuro”, disse.
José Maria Neves quer que Portugal “continue a ser esse paÃs farol”, cuja revolução “se transformou em cravos” e promoveu a democracia.
“Tenho certeza que juntos vamos continuar a seguir esse caminho do reforço das liberdades de afirmação da democracia”, concluiu.
Os dois chefes de Estado voltarão a estar juntos na quarta-feira para as comemorações dos 50 anos de libertação do campo de concentração do Tarrafal, em que participam também o Presidente da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo, e o ministro da Defesa de Angola em representação do chefe de Estado, João Lourenço.
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