Presidente ucraniano admite cimeira com Rússia, França e Alemanha

Kiev, 08 fev 2022 (Lusa) — Os líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha poderão reunir-se “muito em breve” para discutir a crise ucraniana, disse hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Esperamos poder realizar muito em breve negociações dos líderes [dos países] do Formato Normandia”, disse Zelensky numa conferência de imprensa com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, após quase três horas de conversações em Kiev.

Macron disse que os conselheiros dos Presidentes russo, ucraniano e francês deverão encontrar-se com o chanceler alemão, Olaf Scholtz, em Berlim, na quinta-feira, segundo a agência France-Presse (AFP).

Os conselheiros políticos e diplomáticos dos líderes dos quatro países reuniram-se em Paris no final de janeiro, mas sem abordar a realização de uma nova cimeira.

A última cimeira do grupo da Normandia realizou-se em dezembro de 2019, em Paris, e foi o primeiro encontro entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O diálogo no Formato Normandia foi criado em 2014, na sequência da guerra entre a Ucrânia e separatistas pró-Moscovo na região ucraniana do Donbass (leste), que provocou cerca de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados desde então, segundo a ONU.

Na conferência de imprensa conjunta, Zelensky agradeceu a Macron ter-se deslocado a Kiev para “apoiar a Ucrânia”.

Macron viajou hoje para Kiev depois de ter estado em Moscovo, na segunda-feira, onde falou durante mais de cinco horas com Putin.

Os contactos do Presidente da França, país que preside atualmente ao Conselho da União Europeia (UE), visam tentar desanuviar a crise sobre a Ucrânia.

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

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