
Lisboa, 08 nov 2023 (Lusa) — O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o Presidente da República partilha a preocupação de que haja uma atuação rápida da justiça com conclusões sobre as investigações em curso que levaram à demissão do primeiro-ministro.
“É preciso que esses processos — dentro do tempo da justiça, que não há outro tempo, tem de ser o tempo da justiça — sejam rapidamente esclarecidos, investigados, e que se chegue a conclusões”, declarou Paulo Raimundo aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa.
O secretário-geral do PCP referia-se à s investigações sobre projetos de lÃtio e hidrogénio que levaram a buscas em vários gabinetes do Governo na terça-feira e a um inquérito autónomo no Supremo Tribunal de Justiça que tem o primeiro-ministro, António Costa, como alvo.
Paulo Raimundo defendeu que “é importantÃssimo para a credibilidade da própria democracia, é importantÃssimo do ponto de vista da justiça que se tire as consequências todas desses processos judiciais e criminais que estão em causa, e é também importante do ponto de vista polÃtico e de credibilidade”.
“E eu posso transmitir que é uma preocupação que o senhor Presidente da República também partilha, estamos todos empenhados em que o mais rapidamente possÃvel se clarifique cada um desses processos, porque isso é de grande importância para a justiça, para o plano polÃtico, mas também para a credibilidade”, acrescentou.
Segundo o secretário-geral do PCP, é necessário “as pessoas sentirem que há um poder polÃtico, há um poder judicial, cada um nas suas funções, mas tudo a trabalhar em prol do paÃs”.
Interrogado sobre como encontrou hoje o Presidente da República, Paulo Raimundo referiu que esteve com Marcelo Rebelo de Sousa na segunda-feira e considerou que “a sua forma era muito semelhante”, mas que “naturalmente que não estava satisfeito com a situação, com o desenvolvimento das questões”.
Na terça-feira de manhã, foram realizadas buscas em vários gabinetes do Governo, incluindo na residência oficial de São Bento, em Lisboa, visando o chefe de gabinete do primeiro-ministro, VÃtor Escária.
O Ministério Público anunciou mais tarde que estão em causa investigações sobre projetos de lÃtio e de hidrogénio e que o primeiro-ministro é alvo de inquérito autónomo no Supremo Tribunal de Justiça.
António Costa apresentou a demissão de primeiro-ministro, declarando-se de “cabeça erguida” e “consciência tranquila”, mas defendendo que “a dignidade das funções de primeiro-ministro não é compatÃvel com qualquer suspeição sobre a sua integridade, a sua boa conduta e, menos ainda, com a suspeita da prática de qualquer ato criminal”.
O Presidente da República aceitou o pedido de demissão e comunicou que irá falar ao paÃs na quinta-feira, depois de ouvir os partidos com assento parlamentar e o Conselho de Estado.
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