
Beira, Moçambique, 27 fev 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu hoje que as escolas devem ensinar a criar empregos e ajudar o país a alcançar a independência económica, pedindo que se ensine a “compreender criticamente a realidade” num contexto de transformação digital.
Ao presidir à abertura oficial do ano letivo de 2026 na Beira, centro do país, que coincidiu com a entrega da Escola Básica de Esturro, a maior escola primária de Moçambique, Chapo lembrou que aquela instituição – antes da reabilitação – foi a primeira a implementar um programa de mentoria escolar que ajuda a descobrir a orientação vocacional e clareza das saídas profissionais dos alunos, preparando-os para o trabalho e autoemprego.
Um modelo escolar que já está a ser implementado também nas províncias de Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e que o Presidente destacou: “O que queremos dizer é que durante anos viemos ensinando as nossas crianças apenas a serem empregados, isto é, quando crescerem têm que procurar emprego. O que estamos a fazer é inverter este cenário, ensinar a criança que pode também criar emprego para os seus irmãos, colocar na cabeça da criança que não está a estudar apenas para procurar emprego, também para criar emprego e empregar os seus irmãos”.
Para o chefe de Estado, a iniciativa, que visa descobrir a vocação de cada aluno, vai ajudar desde cedo a “formar patrões”, quebrando o antigo modelo de formação de empregados, defendendo que uma nação livre só se constrói com cidadãos capazes de ler o mundo, criar, empreender e inovar.
A Escola Básica do Esturro é a maior escola primária do país com 46 salas, possuindo uma capacidade para 4.600 estudantes no sistema de dois turnos, um investimento de 4,8 milhões de dólares (quatro milhões de euros) da fundação de caridade Tzu Chi Moçambique.
O Presidente moçambicano defende que a educação deve olhar para a rápida expansão das tecnologias de informação e comunicação que estão a transformar “profundamente a paisagem educacional”.
Chapo entende que esta transformação no setor “oferece oportunidade para que possamos refletir nas práticas pedagógicas no contexto da transformação digital, que integra a nossa visão governativa, uma visão que seja transformadora, no sentido de não se limitar a transmitir conteúdos, mas ajudar as pessoas a compreender criticamente a realidade como condição para ser transformada”.
O chefe do Estado prometeu continuar a melhorar as condições de trabalho dos professores, justificando que “investir na educação é investir nas pessoas”, referindo que este é também o caminho para a independência económica do país.
“Se ontem a escola era a base para a conquista do poder político, hoje deve ser a base para o poder económico como uma nação e como um povo. O poder de produzir, de inovar, de industrializar, de digitalizar, de empreender e de competir e prosperar como um povo. Por isso hoje dizemos que façamos da escola a base para a nossa independência económica, disse.
Antes, na Beira, Chapo entregou a Escola Secundária da Manga, destruída pelo ciclone Idai, em 2019, e agora reabilitada. Tal como na Escola de Esturro, o Presidente moçambicano pediu conservação da Escola da Manga.
“Nós não podemos regressar aqui daqui a uma, duas semanas, e encontrar vidros partidos. Hoje reabilitamos a escola, construímos mais infraestruturas, a escola está em condições, mas vamos ter aqui alunos indisciplinados que vão começar a subir nas carteiras, estragar, vão partir vidros. Mas a conservação da escola é da nossa responsabilidade”, disse Chapo.
O Presidente pediu à comunidade para guardar a escola, travando o roubo de bens escolares: “Guarnecer esta escola dia e noite é nossa responsabilidade, porque se não guarnecer a escola vão aparecer aqueles amigos do alheio (…) Se não guarnecermos, aqueles que gostam de roubar, os ladrões vão aparecer aqui para roubar computadores, livros na biblioteca. Se não tivermos a responsabilidade de guarnecer como bem comum, os ladrões vão aparecer”.
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