Presidente moçambicano defende reforço da integração política e económica em África

Maputo, 25 mai 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano defendeu hoje maior integração política e económica africana, incluindo livre circulação, reforço das ligações aéreas e infraestruturas comuns, considerando que a unidade continental continua a ser decisiva para o desenvolvimento de África.

“A necessidade de nos unirmos e irmos pensando cada vez mais na integração” é um dos principais desafios do continente africano, disse Daniel Chapo, falando aos jornalistas à margem das celebrações do Dia de África, realizadas em Maputo.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, as fronteiras africanas resultam de divisões “artificiais” herdadas do tempo colonial, que separaram povos com a mesma língua, cultura e tradições, defendendo uma visão mais integrada do continente para acelerar o crescimento económico regional.

“A ligação aérea é extremamente importante para o nosso continente. Há países em África que, para ir a um país vizinho, primeiro têm que ir à Europa para depois voltar para África”, criticou Daniel Chapo, apontando igualmente a necessidade de infraestruturas regionais pensadas de forma conjunta.

O Presidente moçambicano defendeu que África deve avançar progressivamente para mecanismos comuns de mobilidade, comércio e integração económica, destacando os avanços registados na circulação regional e na implementação da Área de Comércio Livre Continental Africana.

“A área do comércio livre do continente africano também é um grande passo. Mas se um dia tivermos, por exemplo, um único visto, uma única moeda, como a Europa hoje, que tem o euro para todo o continente, África poderá desenvolver-se mais rapidamente”, declarou.

Daniel Chapo comparou ainda o potencial africano ao de economias como as dos Estados Unidos da América e da China, sublinhando que o continente possui dimensão territorial, população e recursos suficientes para reforçar a sua posição económica global através da integração regional e continental.

As celebrações do dia de África foram igualmente marcadas pelo lançamento das comemorações dos 40 anos da morte de Samora Moisés Machel (1933-1986), primeiro Presidente de Moçambique, com Chapo a considerar Machel uma figura incontornável para Moçambique, para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e para o continente africano.

“Samora Machel não é só um líder de Moçambique, é da região”, afirmou Daniel Chapo, acrescentando que os ideais de solidariedade africana defendidos pelo antigo estadista continuam atuais perante os desafios políticos, económicos e sociais enfrentados pelo continente.

O Dia de África é celebrado anualmente a 25 de maio e assinala a criação da Organização da Unidade Africana, atual União Africana, símbolo da luta pela emancipação, unidade e autodeterminação dos povos africanos.

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