
Cidade do México, 24 jul 2021 (Lusa) — O Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, propôs hoje a criação de “algo semelhante” à União Europeia (UE) na América Latina, durante a abertura da cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).
“A proposta é, nem mais nem menos, que construir algo semelhante à União Europeia, mas mais adequado à nossa história, à nossa realidade e à s nossas identidades”, disse o Presidente, dirigindo-se aos representantes de 33 paÃses presentes na cimeira que decorre na Cidade do México.
A cimeira da CELAC, a que o México preside rotativamente, visa encontrar mecanismos para obter mais vacinas contra a covid-19 para a região e chegar a um acordo sobre uma posição latino-americana comum sobre esta matéria antes da próxima cimeira do G20.
Na sua intervenção, López Obrador aproveitou para pedir a substituição da Organização dos Estados Americanos (OEA), propondo um novo modelo de integração para a região.
“Nesse espÃrito, não deve ser descartada a substituição da OEA por um órgão verdadeiramente autónomo, que não seja lacaio de ninguém, mas mediador, a pedido e por aceitação das partes em conflito”, explicou o chefe de Estado mexicano.
López Obrador admitiu que esta é “uma questão complexa, que exige uma nova visão polÃtica e económica”, mas acrescentou que também “é um grande desafiio para bons diplomatas e polÃticos, como os que felizmente existem em todos os paÃses do continente”.
“O que aqui se propõe pode parecer uma utopia. Porém, devemos pensar que sem o horizonte de ideais não se pode chegar a nenhum lugar. Vamos manter vivo o sonho de BolÃvar”, disse o Presidente.
No seu discurso, López Obrador criticou ainda Washington, por “nunca deixar de realizar operações, abertas ou encobertas, contra paÃses independentes localizados a sul do Rio Grande” e denunciou a influência hegemónica da polÃtica externa dos Estados Unidos.
Apesar das suas crÃticas à polÃtica externa dos EUA, o Presidente do México pediu aos paÃses latino-americanos “que deixem de lado o dilema de integrar os Estados Unidos ou de se opor defensivamente a eles”.
“Vamos iniciar um relacionamento no nosso continente sob a premissa de George Washington, para quem as nações não se devem aproveitar da desgraça de outros povos”, concluiu o Presidente mexicano.
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