
Caracas, 05 jul 2026 (Lusa) – A Presidente interina da Venezuela, Delcy RodrÃguez, que tem sido criticada pela forma como lidou com os dois grandes sismos de 24 de junho, afirmou hoje que “não haverá uma explosão social” ligada ao desastre.
“Não compreendo como é que, nestes momentos de dor para a Venezuela, de luto nacional (…), há quem se atreva a planear possÃveis explosões sociais”, disse, durante uma cerimónia de comemoração da independência do paÃs em Fuerte Tiuna, um enclave militar em Caracas.
“Aqui, não haverá explosão social. Aqui, o que existe é uma profunda solidariedade social entre o nosso povo”, sublinhou.
Nas zonas devastadas pelos terramotos, onde ainda se procuram sobreviventes e há milhares de desaparecidos, muitos residentes têm manifestado a sua indignação relativamente à resposta do Governo.
Para responder à s acusações de que as Forças Armadas não ajudaram nas procuras e resgates, Delcy RodrÃguez ordenou hoje a criação de uma nova unidade militar para fazer face a emergências e desastres.
“Ordenei ao Ministério da Defesa a criação de uma força especial de emergência para responder a desastres desta natureza, que terá o nome do grande marechal de Ayacucho, António José de Sucre”, anunciou.
Pelo menos 3.342 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas na sequência dos dois terramotos — de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter -, que foram dos mais fortes e devastadores da América Latina.
Mais de 16 mil pessoas estão desalojadas e 856 edifÃcios foram danificados, informou também o ministério.
Os dois sismos decorreram com 39 segundos de intervalo e afetaram principalmente o norte da Venezuela, mergulhando o paÃs em luto e desespero enquanto as pessoas procuram os seus entes queridos, vivos ou mortos.
Em La Guaira, a zona mais atingida, a 40 quilómetros da capital, edifÃcios inteiros ficaram reduzidos a escombros.
Segundo a ONU, o número de mortos pode chegar aos 50 mil, enquanto outras estimativas apontam para cerca de 10 mil.
Muitas vÃtimas ainda estão sem casa ou abrigadas em parques, sem esperança para o futuro e algumas máquinas pesadas tentam demolir estruturas já desabadas e remover as lajes de betão dos edifÃcios, enquanto uma boa parte está parada por falta de combustÃvel.
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