
Ouagadougou, 11 mai 2023 (Lusa) – O Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, visitou o Burkina Faso na quarta-feira, cinco meses após declarações sobre a presença de mercenários do grupo paramilitar russo Wagner neste paÃs terem causado polémica, anunciou hoje a presidência burquinabê.
Akufo-Addo reuniu-se com Ibrahim Traoré, que lidera o Governo de transição e autor de um golpe de Estado em 30 de setembro de 2022, para discutir “grandes questões na sub-região, enfrentando o desafio da segurança”, segundo a fonte oficial.
A visita do Presidente ganês ocorreu cinco meses depois de uma querela diplomática entre os dois paÃses, na sequência das suas declarações sobre um alegado acordo com o grupo Wagner no Burkina Faso, assolado por ataques de grupos extremistas islâmicos.
Em meados de dezembro, durante uma reunião nos Estados Unidos com o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, o Presidente ganês disse que o Burkina Faso tinha “chegado a um acordo para, tal como o Mali, empregar forças Wagner”.
“Acredito que lhes foi atribuÃda uma mina no sul do paÃs como forma de pagamento pelos seus serviços”, acrescentou, chegando a especificar que havia “mercenários russos na fronteira” entre o Burkina Faso e o Gana.
O Governo burquinabê reagiu qualificando as considerações como “muito graves”, retirou o seu embaixador em Acra e convocou o embaixador ganês em Ouagadougou para apresentar o seu protesto.
Ibrahim Traoré e o seu Governo negaram repetidamente o recurso aos mercenários do grupo russo mas, depois de expulsarem os soldados franceses presentes em Ouagadougou, admitiram que o paÃs se aproximou da Rússia, “um aliado estratégico” como outros.
“Continuaremos a adquirir meios importantes com esses paÃses e cooperaremos com aqueles que desejam ajudar-nos nesta guerra” contra os extremistas, disse Traoré.
O Burkina Faso, palco de dois golpes militares em 2022, está envolvido desde 2015 numa espiral de violência de cariz extremista islâmico que surgiu no Mali e no NÃger há alguns anos e se espalhou para além das suas fronteiras.
Nos últimos oito anos, a violência deixou mais de 10.000 mortos – civis e soldados – de acordo com organizações não-governamentais, e cerca de dois milhões de deslocados internos.
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