
Viana do Castelo, 25 mar (Lusa) – O presidente do PSD, Rui Rio, considerou hoje que “pior” do que relações familiares dentro do Governo é o PS entender ser “normal”, considerando que esta “forma de governar o paÃs é altamente descredibilizadora”.
“O mal é que o presidente do PS entende que isso é normal. Isso é que me parece ser o pior”, afirmou Rui Rio, quando confrontado pelos jornalistas com a resposta do também lÃder parlamentar do PS, Carlos César, à s crÃticas do Bloco de Esquerda sobre o assunto.
“O mal é achar normal que o Governo, e depois tudo o que anda à volta do Governo, ande à volta, também, de laços familiares. Um primo aqui, um irmão e a mulher acolá. Mesmo o Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal”, reforçou, à entrada de uma reunião, à porta fechada, com militantes do distrito de Viana do Castelo.
Para Rui Rio, o Governo, liderado pelo socialista António Costa, “põe à frente, em muitas circunstâncias, as relações pessoais e não exatamente a competência”.
O lÃder parlamentar do PS confessou hoje ter ficado surpreendido com as crÃticas do BE à s relações familiares dentro do Governo socialista, afirmando que os bloquistas têm “abundantes relações familiares” na sua bancada.
“Não percebo como é que o Bloco de Esquerda as pode fazer, sendo um partido onde se conhece que, no seu próprio grupo parlamentar, são abundantes e diretas as relações familiares”, afirmou Carlos César, à margem das jornadas de proximidade do PS, no distrito de Portalegre, que hoje terminaram.
César foi confrontado com o conselho da coordenadora do BE, Catarina Martins, no domingo, para o PS fazer uma reflexão sobre as relações familiares dentro do executivo
E foi aà que o lÃder parlamentar e presidente do PS disse não querer comentar “acusações em concreto”, mas que, “à s vezes”, fica surpreendido com este tipo de crÃticas, não só do BE, mas também de comentadores como LuÃs Marques Mendes, na SIC.
De Marques Mendes recordou que o pai foi deputado na primeira, terceira e quarta legislatura, o próprio foi “ministro por cinco vezes”, deputado e lÃder parlamentar e “a sua irmã é deputada e dirigente parlamentar”.
Carlos César disse ainda não ficar admirado que, “em determinadas famÃlias, onde essa vocação [da polÃtica] e essa proximidade se multiplica, as pessoas tenham empenhamento cÃvico similar”.
O que “é importante, na polÃtica e na governação, é a transparência, o conhecimento dos interesses que estão em causa em todas as decisões e a competência”, afirmou.
Em dois dias seguidos, no sábado e no domingo, PSD e BE colocaram na agenda polÃtica e mediática as relações familiares entre membros do Governo, como é o caso, por exemplo, dos ministros Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino (marido e mulher) e José Vieira da Silva e Mariana Vieira da Silva (pai e filha).
No sábado, em entrevista à Lusa, o cabeça-de-lista do PSD à s europeias, Paulo Rangel, defendeu que o Presidente da República já devia ter avisado o primeiro-ministro para não repetir o que chama de “promiscuidades familiares” no Governo.
No domingo, a coordenadora do BE aconselhou o Governo e o PS a refletirem sobre a prática de ocupação de cargos públicos por “pessoas com muitas afinidades”.
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