
Lisboa, 31 mai 2023 (Lusa) — O presidente do Comité OlÃmpico de Portugal denunciou hoje o desinteresse do primeiro-ministro relativamente ao olimpismo nacional, revelando que durante nove anos nunca reuniu com António Costa e estendendo as crÃticas à ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares.
“Tenho pedido aqui aos meus colaboradores, mas isto não é fácil de obter, uma avaliação sobre em que paÃs europeu o primeiro-ministro, durante nove anos, não reúne com o presidente do respetivo Comité OlÃmpico para fazer uma avaliação da situação desportiva nacional. Porque acompanho os sites de muitos comités olÃmpicos europeus, e vejo as fotografias. O primeiro-ministro de Portugal não sente essa necessidade”, lamentou José Manuel Constantino.
O presidente do COP defende que ao longo da sua governação António Costa delegou funções nos ministros com a tutela do Desporto — Tiago Brandão Rodrigues, primeiro, e a Ana Catarina Mendes na atual legislatura – e nos secretários de Estados responsáveis pelo setor, nomeadamente João Paulo Rebelo e João Paulo Correia.
“Nunca esteve presente numa iniciativa nossa, mas está presente nas iniciativas do Comité ParalÃmpico. É uma opção polÃtica. Claro, é um sinal que está a ser dado, que há uns que são mais importantes do que outros. Não posso ler isto de outra maneira. Eu creio que ele não faz isto por não apreciar muito o presidente do Comité OlÃmpico, ou achar que o nosso trabalho não é um trabalho que seja útil ao paÃs, [mas] porque, do ponto de vista da hierarquia e da importância das suas opções polÃticas, isto não é prioridade. Como não é prioridade…”, defendeu.
José Manuel Constantino criticou o facto de António Costa recorrer a “uma rede social privada” para felicitar atletas e federações quando as missões portuguesas conquistam medalhas.
“O Comité OlÃmpico, zero. E assim vamos convivendo, porque, de facto, não há sinais evidentes de que isto possa mudar. E, portanto, eu vou terminar os meus dias com a mágoa de não ter sido capaz de alterar este estado de coisas. Mas, pese embora o facto de estar doente e de estar cansado, não me resigno. E enquanto eu puder lutar, lutarei”, disse, visivelmente emocionado.
O dirigente olÃmpico detalhou que nos quase 10 anos de exercÃcio de funções nunca recebeu “nenhum elogio ou nenhuma palavra de apreço da parte do primeiro-ministro, relativamente à s conquistas que os atletas portugueses têm em eventos olÃmpicos”.
“No Rio de Janeiro [em 2016], eu estava à frente da missão, e a mensagem do senhor primeiro-ministro foi para a vice-presidente [Rosa Mota]. Tem como hábito comunicar e celebrar os feitos desportivos através de uma rede social privada, que não é propriamente, salvo melhor opinião, a escola em que eu fui preparado, do ponto de vista das relações institucionais. Mas, enfim, os tempos são o que são. Eu registo, mas tenho que conviver com esta situação”, reiterou.
José Manuel Constantino estendeu as crÃticas a Ana Catarina Mendes, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, que tutela o Desporto.
“É uma surpresa, porque é, no trato pessoal, uma pessoa muito simpática, muito afável, mas que, até à presente data, não acrescentou qualquer fator de novidade à quilo que são as polÃticas públicas desportivas. Está muito ligada à s questões da igualdade, à s questões da inclusão, à s questões da paridade de sexos, que fazem um bocadinho parte da agenda neoliberal de muitos partidos polÃticos europeus, mas isso são questões transversais à s polÃticas sociais”, alertou.
O presidente do COP reconheceu que a sua expectativa quanto a Ana Catarina Mendes “era mais elevada do que aquela que tem sido […] a prestação da ministra”.
“Depois, relativamente ao Comité OlÃmpico, também é uma pessoa completamente afastada. Nós, em várias ocasiões, tivemos a oportunidade de convidar a ministra para os nossos eventos. Nunca aceitou, de tal modo que eu até dei orientações internas que, a partir deste momento, deixa de se enviar convites, porque, naturalmente, creio que há aqui um princÃpio de respeitabilidade para com o Comité OlÃmpico de Portugal, que não foi salvaguardado”, vincou.
Constantino disse esperar que “o futuro corrija estas situações” com Ana Catarina Mendes, de modo a que a entidade à qual preside possa ter “uma relação perfeitamente normalizada” com a ministra, da mesma forma que tem com o secretário de Estado, após um inÃcio ‘atribulado’.
“Houve aquilo que é conhecido. O senhor secretário de Estado entendeu iniciar o seu périplo pelas organizações desportivas, escolhendo parceiros que, do nosso ponto de vista, não deveriam ser os primeiros. Enfim, creio que o erro está reconhecido, está corrigido. E, portanto, é um assunto completamente encerrado”, declarou.
O dirigente deixou uma palavra de apreço a João Paulo Correia, enaltecendo a cooperação do atual secretário de Estado do Desporto com o COP.
“É uma pessoa que coopera com o Comité OlÃmpico, partilha com o Comité OlÃmpico aquilo que entende dever partilhar com o Comité OlÃmpico, e procura construir as decisões naquilo que diz respeito ao Comité OlÃmpico, consensualizando com o Comité OlÃmpico. E, portanto, a avaliação que eu faço, do ponto de vista da relação do atual secretário de Estado com o Comité OlÃmpico, é positiva”, finalizou.
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