
Luanda, 17 abr (Lusa) – O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), IsaÃas Samakuva, considerou hoje que o paÃs “não tem novo paradigma de governação” e o que “impera atualmente em Angola é o mesmo regime de 1975”.
“O paradigma do partido/Estado traduz-se na captura das instituições do Estado e da economia pelo partido dominante, para assegurar o controlo da riqueza nacional e dos recursos públicos por uma só famÃlia polÃtica, sem competição real”, afirmou hoje, em conferência de imprensa, o lÃder do maior partido da oposição em Angola.
Falando, em Luanda, sobre a atualidade sociopolÃtica e económica do paÃs, Samakuva referiu igualmente que “as promessas de mudanças ainda não se converteram numa esperança fundada para um futuro melhor para os angolanos”, numa alusão à nova governação angolana, liderada por João Lourenço, eleito Presidente da República em agosto de 2017, pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Para IsaÃas Samakuva, o paradigma reinante em Angola é “de exclusão” onde instituições de soberania como a Assembleia Nacional, tribunais e a Comissão Nacional Eleitoral “são instrumentos” do partido MPLA.
“Não havendo contrapoderes efetivos” ao poder do MPLA e do Presidente da República, e tendo o Estado sido “capturado” por aquele partido, “logo, estão criadas as condições objetivas para a institucionalização da corrupção”, sublinhou.
O combate à corrupção em Angola, um dos grandes propósitos do executivo liderado por João Lourenço, segundo o polÃtico da UNITA, só será possÃvel se o Estado deixar de ficar subordinado ao MPLA, partido no poder desde 1975.
“Como é que um Estado capturado por um partido que se funda na corrupção e sobrevive na corrupção vai combater a corrupção e manter-se intacto”, questionou.
Comentando a alegada bicefalia no MPLA, entre o ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, presidente do partido, e o Presidente angolano, João Lourenço, vice-presidente do MPLA, IsaÃas Sakamuva afirmou que a mesma “é prática, real e funcional”.
“Resulta do facto de o Estado ter sido capturado por um partido polÃtico, ou seja, há uma fusão orgânica e funcional entre o Estado e o MPLA, de tal forma que a autoridade do chefe de Estado só é eficaz se ele for a autoridade máxima do MPLA”, adiantou.
Tendo ainda acrescentado que “esta fusão orgânica e funcional entre o MPLA e o Estado é que precisa ser rompida” e que o “objetivo polÃtico da transição não deve ser o reforço do controlo do partido MPLA pelo chefe de Estado, mas sim a despartidarização do Estado”.
De acordo com IsaÃas Samakuva, “transformar a luta da UNITA contra a corrupção em polÃtica oficial do titular do poder executivo pode ser um passo posso positivo, em direção à segunda libertação do paÃs, mas não é suficiente para a concretizar”.
Pois, entende, a “dimensão moral e material da endemia revela-nos que a única saÃda é a mudança estrutural”.
“E mudança significa alternância. Sem a efetiva despartidarização do Estado, o combate à corrupção será mais uma conversa para o boi dormir, como se diz na gÃria”, realçou.
Num olhar à s recentes denúncias do Ministério das Finanças, de que cerca de 25% da dÃvida pública angolana “era fraudulenta”, o presidente da UNITA questionou as referidas mudanças, aventando números maiores da alegada dÃvida pública forjada.
“Quem garante que a parte fraudulenta da dÃvida pública seja mesmo 25% e não 50% ou 70%? Como podemos saber ao certo se não investigarmos? Afinal, o que é que se procura esconder”, questionou ainda.
Na sua intervenção, IsaÃas Samakuva considerou também que a “situação económica das famÃlias e das empresas continua a agravar-se, o estado da saúde no paÃs é uma calamidade nacional”, acrescentando os “altos Ãndices de criminalidade e desigualdades sociais pelo paÃs”.
“O problema não reside apenas nas baixas verbas afetadas para cada setor no Orçamento Geral do Estado [OGE]. O problema reside na eficiência da execução do OGE. O dinheiro que lá põem depois é desviado e nunca chega ao destino pretendido”, rematou.
DYAS // VM
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