Presidente da Ucrânia pede intervenção de líder chinês junto de Moscovo para acabar com a guerra

Nações Unidas, Nova Iorque, 23 set 2026 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje diretamente ao homólogo chinês, Xi Jinping, para que use a sua influência sobre a Rússia com vista a terminar a guerra lançada há mais de quatro anos por Moscovo.

“Gostaríamos que ele desejasse a paz tanto quanto nós, na Ucrânia”, disse Zelensky, referindo-se a Xi, no seu discurso na assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O Presidente ucraniano tinha declarado pouco antes que espera que a guerra com a Rússia termine antes do inverno.

Zelensky recordou que discutiu o assunto na terça-feira, numa reunião com o Presidente norte-americano, Donald Trump, à margem da sessão anual na ONU, e lamentou não ter tido a ocasião de tratar o assunto também com o homólogo chinês.

Xi inicia hoje em Washington uma visita aos Estados Unidos, que não inclui uma paragem na sede da ONU, em Nova Iorque.

“Precisamos de diplomacia e precisamos de força”, declarou o Presidente ucraniano no seu discurso sobre as exigências que considera necessárias para obrigar o líder do Kremlin, Vladimir Putin, a aceitar o fim do conflito.

Zelensky apelou ainda a todos os Estados-membros da ONU para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para privar a Rússia dos recursos financeiros necessários para o seu esforço de guerra.

Neste sentido, reforçou, sem designar nomes, as críticas sobre o levantamento de sanções da União Europeia contra dois oligarcas russos, por pressão da França, do Luxemburgo e também da Eslováquia.

O líder ucraniano afirmou que a guerra contra o seu país tem consequências noutras regiões do mundo e deu como exemplo as melhorias nos mísseis balísticos e nos drones que a Coreia do Norte recebeu em troca do envio de soldados para integrar as fileiras do exército russo.

A propósito, revelou que Kiev enviou dois prisioneiros de guerra norte-coreanos capturados em zonas de combate para a Coreia do Sul.

Zelensky frisou que militares de 47 países, sobretudo de África, Ásia e América Latina, foram recrutados pelo exército russo para a sua campanha na Ucrânia, e pediu aos respetivos governos que protejam os seus cidadãos e os impeçam de se juntarem à guerra ao lado de Moscovo.

Por outro lado, apontou os esforços conjuntos da Ucrânia com uma dúzia de países europeus para construir o seu próprio sistema antiaéreo para intercetar mísseis balísticos e confirmou a assinatura de acordos com a Finlândia e a Austrália, convidando os países do Golfo Pérsico a aderir à iniciativa.

Além disso, alertou que tecnologias como a inteligência artificial “vão começar a tomar decisões sobre o que acontece no campo de batalha”, advertindo os líderes presentes em Nova Iorque que é preciso alcançar a paz “antes de se chegar a esse ponto”.

No seu discurso na assembleia-geral da ONU, Zelensky voltou a acusar Vladimir Putin de procurar a guerra em vez da paz, prevendo o fracasso da invasão da Ucrânia.

“Esta guerra ridícula com a Ucrânia tem de acabar. Não conheço nenhum outro líder mundial que diga o contrário, que seja abertamente a favor desta guerra, com exceção de um homem”, declarou, referindo-se ao líder do Kremlin.

O dirigente ucraniano observou que as autoridades de Kiev conservam um arquivo de imagens de drones que mostram “milhares e milhares de russos a morrer” no campo de batalha.

“É de loucos, mas eles continuam a ir para estas zonas de morte para morrer, e continuam a fazê-lo porque é o que Putin quer”, condenou.

Na sua intervenção, apontou cerca de 248 mil soldados russos mortos em combate só entre entre janeiro e agosto de 2026 para conquistar apenas 1.000 quilómetros quadrados, ao mesmo tempo que os militares ucranianos libertaram “uma parte significativa” do território.

Zelensky reafirmou que os planos do homólogo russo não limitam à região leste do Donbass e visam também Odessa, Kharkiv, Dnipro e outras cidades em várias partes do país e fora dele.

“Ameaça constantemente a Moldova, a Polónia e os países bálticos. Parece que nunca consegue dizer ‘basta’. Conseguem imaginar Putin sem guerra?”, questionou.

O objetivo de Kiev é acabar com “a capacidade da Rússia de financiar, prolongar e tornar a guerra mais brutal e destrutiva”, assinalou a propósito dos ataques aéreos frequentes das forças ucranianas contra alvos energéticos ou de instalações que apoiem o esforço militar russo.

Perante a assembleia-geral, Zelensky criticou o abuso do poder de veto detido pela Federação Russa e pelos outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o que “distancia ainda mais a paz, uma vez que a Rússia pode sempre dizer não à diplomacia” como solução para o conflito.

Classificado como “o paciente zero” e o homem que iniciou “a maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial”, Vladimir Putin “terá inevitavelmente de deixar o mundo”, disse ainda o líder ucraniano

“Mas enquanto continuar a travar a guerra, continuará a causar mais danos em todo o planeta”, prosseguiu, ao acrescentar que “nada o pode parar, exceto a coragem do povo” e esperando que “a coragem e a bravura permaneçam”.

 

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