
La Paz, 20 jun 2026 (Lusa) – O Presidente da BolÃvia, Rodrigo Paz, anunciou hoje a imposição do estado de emergência no paÃs, uma medida extraordinária adotada com o objetivo de “deixar de ser refém” dos bloqueios e mobilizações que tiveram inÃcio há 50 dias.
“Ordenei a aplicação do estado de emergência para libertar as estradas do paÃs. Os bolivianos não podem continuar a ser reféns de bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber cuidados médicos, abastecer-se e levar sustento para as suas casas”, informou o Presidente numa publicação nas redes sociais.
Além disso, Rodrigo Paz assegurou que, com a medida, não se “pretende retirar a normalidade, mas sim devolvê-la”, argumentando que a BolÃvia “precisa de recuperar as suas estradas, garantir o abastecimento e regressar à normalidade”.
“As portas do Governo continuarão abertas para quem quiser dialogar de boa-fé”, acrescentou.
O anúncio da medida ocorreu horas depois de o executivo chegar a um acordo com a Central Operária Boliviana (COB) para pôr fim à s mobilizações e medidas de pressão impulsionadas pela maior central sindical boliviana a nÃvel nacional, abrindo caminho à pacificação do paÃs.
Ainda assim, e apesar de os “cobistas” estarem “a partir deste momento [da assinatura do acordo] a levantar as medidas de pressão a nÃvel nacional”, Rodrigo Paz considerou o feito como insuficiente para chegar a acordo com os vários sindicatos de camponeses, próximos do ex-Presidente Evo Morales (2006-2019), os quais mantêm o bloqueio de estradas e insistem na demissão do chefe de Estado.
O acordo com a COB foi assinado por Paz e pelo lÃder máximo da central operária, o mineiro Mario Argollo, após uma reunião realizada horas antes, à porta fechada, entre uma delegação da organização sindical e cinco ministros do Governo.
“A partir deste momento, as medidas de pressão a nÃvel nacional estão a ser levantadas, com o compromisso do Governo de cumprir imediatamente tudo o que foi acordado”, declarou Argollo aos meios de comunicação social após a assinatura do acordo na sede do Governo, em La Paz, na sexta-feira.
O estado de emergência decretado por Paz tem como contexto o facto de continuar pendente uma aproximação com a Federação Departamental de Camponeses de La Paz, que mantém os bloqueios rodoviários iniciados no passado dia 06 de maio, para além de também continuarem mobilizados os simpatizantes de Morales, que descartaram o diálogo e insistem na demissão do chefe de Estado.
Argollo referiu que o acordo “tem prazos definidos de 90 dias” para que o executivo cumpra os compromissos, para o que foram criadas mesas de trabalho que começarão a funcionar a partir da próxima quarta-feira.
Um dos compromissos, segundo o lÃder sindical, são as diligências para a libertação dos manifestantes detidos durante os protestos, o que foi exigido pela COB para que o diálogo pudesse prosseguir.
Perante as crÃticas dos camponeses de La Paz ao diálogo com o Governo, Argollo assegurou que não é um “traidor” e justificou que o fizeram “para que não se derrame sangue”.
“Dirijo-me a todos vós (sindicatos camponeses) de forma muito fraterna: recorramos ao diálogo, não permitamos que o nosso paÃs sofra mais e não fiquemos como os vilões da história”, acrescentou.
A COB e a Federação de Camponeses de La Paz lideram, desde o inÃcio de maio, bloqueios rodoviários para exigir a demissão de Paz, tendo posteriormente contado com o apoio de setores próximos de Evo Morales.
O conflito provocou a escassez de alimentos, combustÃveis e oxigénio medicinal em algumas cidades e causou, pelo menos, 16 mortos, 13 dos quais devido à falta de cuidados médicos atempados, em consequência dos bloqueios, além de prejuÃzos económicos estimados em 3.000 milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros).
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